Qual a importância do ministro de música na Igreja?

Texto extraído da página do Facebook “Vida Celebrada – Formação Litúrgico Catequética”; publicado em 29 de janeiro 12:19h.

O Ministério de Música pode ser definido de duas formas. A primeira delas: a ponta da lança.

O Ministério de Música é a ponta da lança, em todos os eventos e até mesmo na Santa Missa, ele precede a pregação e as leituras; é o canto que abre os corações. Por isso, por ser a ponta da lança – ou cumprir este papel – o ministro de música deve estar preparado para exercer a sua função. Quais são as formas que conhecemos para preparar-nos? A Eucaristia e a Confissão. É através da Confissão, pelas mãos do sacerdote, que somos perdoados e nos reconciliamos com Deus. E é através da Eucaristia que chegamos à intimidade com Deus, é através d’Ela que O recebemos e O sentimos em nosso ser. Sem essas duas armas, o músico não está preparado para exercer o seu ministério.

A outra definição de ministro de música é: “aquele que faz rezar”.

Se um ministro de música, diante de uma assembléia de cinco mil pessoas, conseguir – com seu canto – levar uma pessoa à conversão ou fazer com que ela renove o gosto pela oração, ou que ela imediatamente comece a orar, a sua missão, naquele dia, está cumprida! Com a suavidade do canto, ou com a humildade ao ministrar, o ministro é capaz, sim, de levar uma pessoa de volta para Deus. E a música tem justamente esta característica: ela FICA NA MEMÓRIA, tanto que, quantas vezes, nos surpreendemos com aquela música que “não sai da nossa cabeça”?

A Bíblia também nos traz vários exemplos do ministério que tranquiliza, que alegra, que devolve à paz e que – muitas vezes! – nos convoca à luta, pela força do canto, pelo vigor:

1) 1 Samuel 16,23: “E sempre que o espírito mau, permitido por Deus acometia o rei Saul, Davi tomava a harpa e tocava. Saul acalmava-se, sentia-se aliviado e o espírito mau o deixava”.

2) 2 Reis 3,15-18: “Eliseu disse: ‘trazei-me um tocador de harpas.’ Apenas fez o tocador vibrar as cordas, veio a mão do Senhor sobre Eliseu… e ele profetizou dizendo: ‘Ele também vai entregar Moab em suas mãos.’”

3) 1 Cor 15,16-22: “Davi disse aos chefes dos levitas que estabelecessem seus irmãos como cantores com instrumentos de música, cítaras, harpas e címbalos, para que sons vibrantes e alegres se fizessem ouvir. Os levitas constituíram Hemã, filhos de Joes, e dentre seus irmãos, Asaf, filhos de Baraquias… Zacarias, Osiel, Semiramot, Jaiel, Ani, Eliab… os porteiros. Os cantores Hemã, Asaf e Etã, tinham címbalos de bronze… Zacarias, Osiel, Semiramot… tinham cítaras em soprano…”

Outra coisa importante que não podemos deixar de falar: o ministro de música é tão importante quanto o liturgista. Continuamente temos que lutar para que não faltem músicos nas nossas missas. Se assumimos um dia da semana para tocar, faça chuva ou faça sol, o músico tem que comparecer, a menos que se trate de situação grave (enfermidade, falecimento na família, etc.). Ainda assim outro ministro de música deve ser comunicado!
Fonte: http://www.fundacaofraternidade.org.br

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Quem canta nas celebrações litúrgicas?

Texto extraído da página do Facebook “Vida Celebrada – Formação Litúrgico Catequética”; publicado em 29 de janeiro 10:21h.

Iniciamos nossa reflexão com a seguinte motivação: “Que vosso modo de celebrar seja a própria expressão de vossa fé!” (João Paulo II). Expressão convidativa a uma reflexão mais profunda sobre as músicas que cantamos em nossas liturgias. Haja vista, mais importante antes de tudo, ressaltar quem é cantor em nossas celebrações litúrgicas. Sabemos que toda a Igreja constitui o corpo místico de Cristo. Muitos membros, que mutuamente estão a serviço uns dos outros (cf. 1Cor 14,5; Ef 4,12). Logo, o lugar de quem canta a liturgia não é de direito profissional. Referimo-nos a uma função ministerial, abraçada por homens e mulheres (cf. Lumem Gentium, 34) que celebram os mistérios de sua fé.

Por força do Batismo, toda a assembleia – os fieis – é convidada a participar das celebrações de maneira plena, consciente e ativa. De modo que se usem os meios necessários e prudentes a restabelecer e favorecer a participação do povo na liturgia. (cf. Sacrossanctum Concilium, 14). Fonseca (obra: Quem canta? O que cantar na liturgia? p.14) nos relembra que a participação dos fieis foi uma das principais preocupações que desencadeou o Vaticano II. Mas, para que isso aconteça é importante pensar em um caminho pedagógico e formativo, de preparações cuidadosas e de zelo fiel às orientações da Igreja.

Quando ligamos nossos rádios, tvs, quando acessamos a internet, quando estamos em nossas comunidades ou visitamos outras cidades… Somos envoltos da riqueza ministerial que é a nossa Igreja. Notem, no canto litúrgico temos: compositores, animadores, salmistas, instrumentistas, corais, grupos de cantores, entre outros. Todos estes ministérios são cheios de importância, pois formam um ÚNICO MINISTÉRIO LITÚRGICO. Mas, muitas vezes este ministério não tem sido desempenhado de maneira mais adequada. Em sua maioria falta formação litúrgico-musical – Eis nossa grande preocupação. Fonseca (p.15) diz que este fator acarreta grandes dificuldades, tais como: a falta de critérios teológico-litúrgicos na escolha de repertórios, maneira incorreta de tocar os instrumentos musicais, falta de entrosamento entre cantores e instrumentistas, cantores e assembleia e, ouso acrescentar, entre cantores/instrumentistas e o presidente da celebração.

Viver a nossa vocação é fazer o povo cantar o mistério celebrado.

Sem o auxílio de uma formação adequada para o desempenho do nosso ministério, caímos na tentação de cantar PARA O POVO. Vale lembrar que cantamos COM O POVO! Não levar em conta a presença do povo é fazer deles meros expectadores, que simplesmente observam e espera o “momento” acontecer. Não respeitar o direito do povo de celebrar ativa e plenamente a liturgia, é não levar em conta o autor daquela “reunião”, feita sob a ação do Espírito Santo. Sabemos e acreditamos que bendito é Aquele que reúne o seu povo em seu amor. Ou seja, Deus chamou todos os fieis, os reuniu para “louvar de todo o coração e crescer espiritualmente, deixando-se santificar pelo Espírito Santo, que atua poderosamente na celebração litúrgica” (Foncesa apud Buyst).

Se levarmos em conta a essência de nossa vocação ministerial – dom divino que o Senhor nos confiou para o bem dos nossos irmãos – não deixamos ser afetados por “estrelismos” ou modos inadequados de projetar e exibir as vaidades pessoais. O “EU” que celebra, é um “Eu” comunitário… Cantar a liturgia é cantar com toda a assembleia ali reunida. Viver a nossa vocação é fazer o povo cantar o mistério celebrado. A música tem a força de unir todas aquelas diferentes pessoas que vieram celebrar e formar um único corpo. Devemos insistir na vivência desta ideia de unidade e comunhão. Quem dera que com um estetoscópio, lá de fora, nas paredes de nossas Igrejas, pudéssemos escutar um único coração a pulsar lá de dentro. Não é uma realidade distante, pois depende de mim e de você… Depende de nós!

Sugestões práticas para que o povo possa cantar e bem celebrar: 1) Você deve ter segurança do canto; 2) O material que você vai usar (microfone, instrumento…) deve estar arrumados antes da assembleia se reunir; 3) Alguns minutos antes de começar a celebração, é importante passar o refrão dos cantos que são novos (Salmo, Comunhão, Respostas…); 4) Elogiar e incentivar a comunidade a cantar, pois você simplesmente irá sustentar o canto. É possível?

Para refletirmos: Nas celebrações em sua comunidade, você é capaz de sentir-se unido aos outros membros formando um único corpo? Como é a participação da assembleia em sua comunidade? Existe uma integração entre músicos, equipes de liturgia e presidência nas celebrações? Se modo de celebrar é a expressão do modo que acreditamos… Como você celebra em sua comunidade?

Sugestão de leitura: FONSECA, Joaquim. Quem canta? O que cantar na liturgia? Vol. 6 da Coleção Liturgia e Música. São Paulo: Paulus, 2008.

Até logo,

Um abraço fraterno e musical de
Wallison Rodrigues

FONTE: A12.COM

Nota da Página:

Sem subterfúgios e falando bem claramente: a grande maioria dos conflitos nas equipes de liturgia se dão nas equipes de canto. Perdoem se estou exagerando. Pode até ser que existam exceções, mas em geral a “fogueira de vaidades” presente nesse ministério (canto) é um entrave constante no caminhar litúrgico.

Já vi em meus anos de liturgia várias brigas e todas elas pra saber “QUEM VAI CANTAR”. Pois é, deveria ser o povo, mas na prática algumas pessoas fazem da Igreja um verdadeiro palco em busca não de servir, mas de afagos no ego. Os elogios nesse caso são uma verdadeira droga pior que a cocaína e o crack.

Chegam a importar “cantores” de outras comunidades para “AQUELA MISSA ESPECIAL” (e existe diferença?). Missa com pouco público (poucos fiéis) em geral não interessa a essas pessoas.

Urge ESPIRITUALIDADE nas equipes de canto e a consciência de deixar que a assembleia cante. Soltar de vez em quando os microfones e deixar que o povo cante ao menos os refrões ou os cantos rituais.

Repensemos em nossas comunidades em especial esse “serviço” na certeza que o Cristo é o centro da celebração!

A Homilia

Texto extraído da página do Facebook “Vida Celebrada – Formação Litúrgico Catequética”; publicado em 29 de janeiro 19:17h.

A homilia é uma “conversa” (este é o sentido originário do termo) para aprofundar o sentido das leituras bíblicas, principalmente do evangelho, explicando seu sentido original (elemento bíblico), relacionando-o com o mistério que se celebra (elemento mistérico) e ligando-o com a atualidade da fé e da vida dos fiéis (elemento vivencial). Não é necessário falar das três leituras. Pela meditação prévia e pela preparação em conjunto (em nível de comunidade ou de paróquia), defina-se um ponto fundamental que seja relevante para a práxis da fé hoje, de preferência no Evangelho. As outras leituras fornecem ideias suplementares.

No tempo comum, a 1.ª leitura, tirada do A.T., é sempre uma ilustração daquilo que Jesus diz ou faz no Evangelho. Por isso, não é preciso falar sobre a 1.ª leitura em si; basta mostrar a luz que ela traz para melhor compreender os gestos ou as palavras de Jesus. (Já a 2.ª leitura, por seguir a sequência das cartas apostólicas, não tem sempre uma relação clara com o Evangelho.)

A homilia é essencialmente mistagógica, ou seja, conduz o fiel ao mistério eucarístico, a memória da vida, morte e ressurreição do Cristo, que confirma a sua palavra. É importante que faça aparecer o nexo entre a Palavra e a Eucaristia. 
Por outro lado, ela tem também uma função catequética, de instrução na fé, e essa instrução deve ser pedagógica, clara e bem ordenada. Para isso, é preciso, como foi dito, proceder de modo progressivo, não querer dizer tudo ao mesmo tempo, mas ater-se a uma idéia principal, que surja da proclamação da Palavra.

Ora, se em cada domingo se insiste em uma única ideia para a formação dos fiéis, é importante trazer cada domingo uma ideia nova. Existem planejamentos para os três anos litúrgicos, para que a sequência das homilias se torne uma formação permanente da fé, com a condição de que as pessoas sejam assíduas… Por isso, vale insistir que o culto sem padre tem a mesma importância pastoral que a eucaristia celebrada com padre: com ou sem padre, a Palavra de Deus é sempre alimento indispensável para a vida da fé. E o ministro que preside deve oferecer esse alimento da melhor maneira possível.

Extraído do livro: Liturgia Dominical, pág. 31, de
Johan Konings, S.J.

Sacrosanctum Concilium e a importância da formação litúrgica

Texto de Jackson Erpen – Cidade do Vaticano, publicado em 31/01/2018 no Portal Vatican News.

No nosso Espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a falar sobre a Constituição Sacrosanctum Concilium

Na reforma litúrgica trazida pelo Concilio Vaticano II, percebemos 10 aspectos de renovação, a partir da Constituição Sacrossanctum Concilium.

 tratamos de alguns destes aspectos aqui neste nosso espaço, como  o valor da Assembleia Litúrgica, o  uso da Língua Vernácula, a importância das duas espécies eucarísticas, e nos dois últimos programas, a participação ativa dos fiéis.

No programa de hoje, padre Gerson Schmidt, incardinado na arquidiocese de Porto Alegre e que tem nos acompanhado neste percurso, nos fala sobre a importância da formação litúrgica para todos:

Constituição Sacrosanctum Concilium propõe a participação ativa dos fiéis, primeiramente por meio uma verdadeira e séria formação litúrgica. Mas isso não acontecerá em nossos ambientes celebrativos se não houver uma formação do clero para conhecer o espírito e a força da liturgia.

Diz assim o documento conciliar: “Mas, não havendo esperança alguma de que isto aconteça  (a participação ativa dos fiéis), se antes os pastores de almas não se imbuírem primeiramente do espírito e da força da liturgia e não se tornarem mestres nela, é absolutamente necessário que se dê o primeiro lugar à formação litúrgica do clero”.

Diante disso, o sagrado Concílio decidiu estabelecer a formação litúrgica em diversos níveis que elencamos aqui (SC, n. 15-20):

1.  Formação dos professores de liturgia nos seminários, nas casas religiosas de estudos e nas faculdades teológicas;

2.  Instituir a disciplina de liturgia como cadeira curricular – Ensino da liturgia nos seminários e casas religiosas de estudos, por uma das disciplinas necessárias e mais importantes, nas faculdades de teologia como disciplina principal, a sua conexão da liturgia com a unidade da formação sacerdotal.

3.  Formação litúrgica dos candidatos ao sacerdócio;

4.  Ajudar os sacerdotes que já atuam no ministério para que, sempre mais plenamente, penetrem o sentido do que realizam nas sagradas funções, vivam a vida litúrgica, e façam dela participantes os fiéis a eles confiados.

5.  Formação litúrgica dos fiéis e promoção também da participação ativa dos fiéis, tanto interna como externa, segundo a sua idade, condição, gênero de vida e grau de cultura religiosa.

6.  Ainda um novo aspecto atual – a utilização dos Meios audiovisuais e liturgia – ou seja – quanto às transmissões por rádio e televisão das funções sagradas, particularmente em se tratando da santa missa, façam-se com discrição e dignidade, sob a direção e responsabilidade de pessoa competente, escolhida para tal ofício pelos bispos.

Acreditamos que decorridos já 50 anos dessas decisões e bom propósito de reforma litúrgica, muita coisa bonita já acontece em nossas dioceses, casas de formação religiosa e sacerdotal e em nossas comunidades paroquiais.

Já existe uma formação maior de nosso clero na liturgia. A participação dos leigos nos ministérios múltiplos cresce. Cada fiel, portanto, sabendo o sentido e a importância da liturgia, deve participar a modo que lhe cabe e compete das ações sagradas, de forma que não fique apático, neutro ou apenas um mero ouvinte distraído, bem como não faça mais do que lhe cabe, nem menos.

 Caminhemos como comunidades celebrativas. Intensifiquemos a preparação de nossas celebrações. Temos um longo caminho a percorrer (cf. 1Rs19,7)”.

Excessos litúrgicos

Texto de Dom Henrique Soares, bispo de Palmares-PE, publicado na página “Vida Celebrada – Formação Litúrgico Catequética”, do Facebook, em 01/02/2018.

É coisa muito interessante: têm aparecido jovens com o desejo de participar da Santa Missa no rito de S. Pio V ou, pelo menos, no rito do Missal de Paulo VI em latim.

É um direito dos fiéis católicos participarem da Missa segundo o missal anterior ao atual. Basta que o Bispo diocesano julgue conveniente o pedido e determine uma igreja para a celebração.

No entanto, se esse desejo nascer de uma visão reacionária contra o Concílio Vaticano II e contra o Missal atual, promulgado pelo Papa Paulo, tal desejo e tal pedido não podem ter cidadania na Igreja.

Quem nega a autoridade do Concílio Vaticano II e suas determinações ou quem refuta o Missal de Paulo VI, aprovado pela autoridade de um Papa legítimo e acolhido por todo o Episcopado e por toda a Igreja, afasta-se gravemente da comunhão de sentimento com a Igreja de Cristo. Isso é, pelo menos, temeridade, além de uma enorme soberba: pensar que compreende melhor a fé católica e lê melhor a Tradição que o próprio Episcopado em comunhão com o Sucessor de Pedro!

É assim: quando o Diabo não derruba pelo menos, ataca pelo mais!

No outro extremo está a contínua bagunça por parte do clero na celebração da Missa, num teimoso desrespeito ao Missal de Paulo VI e às normas litúrgicas da Igreja. De nada – de nada mesmo! – adiantaram os documentos de João Paulo II, da Congregação para o Culto Divino e de Bento XVI: cada um continua fazendo como bem quer e entende… E fica tudo por isso mesmo! Atualmente, chique é inventar moda na Missa! Cada um inventa a sua, pensando que descobriu a pólvora e inventou a roda!

É assim: um extremo leva a outro; excesso chama excesso…

A Oração dos Fiéis

Texto extraído da página do Facebook “Vida Celebrada – Formação Litúrgico Catequética”; publicado em 25 de janeiro 21:11h.

1. O QUE É UMA ORAÇÃO DOS FIÉIS?

A ORAÇÃO DOS FIÉIS ou Oração Universal é uma resposta imediata à Palavra de Deus proclamada na celebração. Essa resposta é feita mediante a oração de LOUVOR e de PEDIDO. Tanto uma dimensão como a outra deve ajudar a Assembléia reunida a fazer da Palavra a prece comum do povo de Deus reunido. Este, por sua vez, dará sua resposta explícita com uma invocação comum (por exemplo: Senhor, atendei a nossa prece), ou rezando em silêncio.

É o momento em que os fiéis exercem sua missão sacerdotal, elevando a Deus seus pedidos pela salvação de todos.

2. PARA QUEM REZAR?

A Instrução Geral do Missal Romano diz: “Convém que, normalmente, se faça esta oração nas missas com o povo, de tal sorte que se reze pela santa Igreja, pelos governantes, pelos que sofrem necessidades, por todos os seres humanos e pela salvação do mundo” (IGMR, 69). E as Instruções continuam: “Normalmente serão estas as séries de intenções:

a) pelas necessidades da Igreja;

b) pelos poderes públicos e pela salvação de todo mundo;

c) pelos que sofrem qualquer dificuldade;

d) pela comunidade local.

No entanto, em alguma celebração especial, tal como confirmação, matrimônio, exéquias, as intenções podem referir-se mais estritamente àquelas circunstâncias” (IGMR, 70).

3. COMO ELABORAR E PROCLAMAR A ORAÇÃO DOS FIÉIS PARA A MISSA PAROQUIAL?

1°) Como tudo na Liturgia católica, também a Oração dos Fiéis deve buscar iluminação na PALAVRA DE DEUS, especialmente aquela que é anunciada no rito celebrativo. É ela a fonte inspiradora de oração. Por isso, quem prepara as preces deve – como qualquer outro (a) ministro (a) que atuará na celebração da Missa – LER, ESTUDAR, REFLETIR E REZAR os textos bíblicos do dia, especialmente o Evangelho. A partir daí, fazer uma bela ligação entre a Palavra e a vida, tendo sempre em vista as necessidades mais prementes do Povo de Deus e de toda a humanidade, sem esquecer os problemas enfrentados pelo Brasil, nossa (arqui) diocese, paróquia, comunidade, etc

2°) A prece dos fiéis deve ser OBJETIVA, CONCISA E PRECISA. Nada de explicitações ou explicações. Nada de rodeios ou discursos. Em poucas palavras, o (a) precista eleva a Deus, por meio de Jesus Cristo, no Espírito que ora com a Assembléia reunida, os clamores, as necessidades, os louvores e os agradecimentos de toda Igreja.

3°) No término de cada prece, o (a) precista diz: REZEMOS AO SENHOR, mesmo que a assembléia cante a resposta. Nada de dizer “cantemos”.

4°) Quando se reza pela Igreja local, é bom estar atento aos grandes eventos que ocorrem na Arquidiocese e rezar por eles.

5°) Estar atento (a) aos problemas mundiais, nacionais e regionais porque também eles são motivações de nossas preces e devem ser trazidos em forma de oração para o clamor da assembléia, que aqui exerce sua missão de intercessora diante de Deus.

6°) A Oração dos fiéis deve nos educar na dimensão comunitária da oração, por isso evite-se intenções de caráter meramente pessoal.

7°) Também não deve prejudicar o ritmo normal da celebração, por isso evite-se um número grande de intenções. Seguindo os “EXEMPLOS DE FORMULÁRIOS PARA A ORAÇÃO DOS FIES” do Missal (Cf.págs. 1005 e ss.), limitar-nos-emos a 4 (quatro) intenções proclamadas pelo (a) precista.

– NOTA: O (A) precista subirá ao presbitério, tomará lugar no ambão, quando todos estiverem pronunciando o AMÉM da Profissão de Fé. Após a introdução do Presidente da celebração, proclamará as intenções, a viva e clara voz. Ao final, voltar-se-á ao Presidente para acompanhar a conclusão. Após o Amém da oração conclusiva, feita pelo Presidente, o (a) precista fará reverência para o altar e voltará ao seu lugar de origem.

8°) Adotamos duas modalidades para a formulação e proclamação das intenções na Oração dos fiéis. FORMULAÇÃO 1: A que normalmente fazemos. Aquela que o (a) precista formula a intenção de uma maneira corrente e continuada. Por exemplo: Pela Igreja de Deus, para que Ele a governe, proteja e sustente, rezemos ao Senhor. Ou: FORMULAÇÃO 2: É aquela em que o (a) precista faz, em primeiro lugar, o direcionamento da intenção, dá um tempinho de silêncio e, a seguir, pronuncia o restante do pedido e/ou louvor. Por exemplo: Rezemos pela Igreja de Deus (brevemente, reza-se em silêncio, mais ou menos um meio minuto): Para que o Senhor lhe dê paz e unidade. Terminada a formulação do (a) precista (porque o convite “rezemos” já foi feito no início da prece!), a Assembléia, de imediato, proclamará a resposta própria.

(NOTA: Quanto a formulação 2, podemos reservá-la para as Solenidades ou uma outra ocasião especial).

4. ALGUNS EXEMPLOS DE FORMULÁRIOS PARA A ORAÇÃO DOS FIÉIS

FÓRMULA GERAL, I

1)- Pela santa Igreja de Deus, para que ele a proteja e a sustente, rezemos ao Senhor.

2)- Por todos os povos do mundo, para que Deus os conserve em paz, rezemos ao Senhor.

3)- Por todos os que padecem dificuldades, para que Deus os conforte, rezemos ao Senhor.

4)- Por nossa comunidade e cada um de nós, para que Deus nos aceite como oferenda agradável, rezemos ao Senhor.

PARA O ADVENTO

1)- Para que visite e guarde sua Igreja, rezemos ao Senhor.

2)- Para que derrame os dons de sua graça sobre o Santo Padre, o Papa, sobre o nosso Bispo, rezemos ao Senhor.

3)- Para que, sob sua proteção, gozemos dias tranqüilos, invoquemos ao Senhor.

4)- Para que dirija, a serviço do bem comum, os corações daqueles que governam, rezemos ao Senhor.

PARA O NATAL

1)- Pela Igreja de Deus, para que acolha com fidelidade e alegria aquele que a Virgem imaculada concebeu pela palavra, rezemos ao Senhor.

2)- Pelo progresso e a paz do mundo, rezemos ao Senhor.

3)- Pelos que padecem fome, doença ou solidão, para que o mistério do Natal os conforte, rezemos ao Senhor.

4)- Pelas famílias de nossa comunidade paroquial, para que acolham Cristo no pobre, rezemos ao Senhor.

PARA A QUARESMA, I

1)- Por todo povo cristão, para que neste tempo sagrado se alimente com maior abundância de toda palavra que sai da boca de Deus, rezemos ao Senhor.

2)- Pelo mundo inteiro, para que nossos dias tornem-se realmente na tranquilidade e na paz tempo de graça e salvação, rezemos ao Senhor.

3)- Pelos pecadores e indiferentes, para que se voltem a Deus, rezemos ao Senhor.

4)- Por todos nós, para que se desperte em nossos corações a contrição dos pecados, rezemos ao Senhor.

PARA O TEMPO PASCAL

1)- Pelos nossos pastores, para que possam governar com sabedoria o rebanho que lhes confiou o Bom Pastor, rezemos ao Senhor.

2)- Pelo mundo inteiro: para que goze verdadeiramente da paz que o Cristo nos deu, rezemos ao Senhor.

3)- Por nossos irmãos e irmãs que sofrem, para que sua tristeza se transforme na alegria que ninguém pode tirar, rezemos ao Senhor.

4)- Pelos membros desta assembléia, para que testemunhemos com grande confiança a Ressurreição de Cristo, rezemos ao Senhor.

PARA O TEMPO COMUM, I

1)- Pelo Santo Padre o Papa ……, nosso Bispo …… e todo o clero, com todo povo de Deus confiado a seus cuidados, rezemos ao Senhor.

2)- Pelos governantes e seus auxiliares, que cuidem do bem comum, rezemos ao Senhor.

3)- Por todos os viajantes, pelos detentos ou prisioneiros, rezemos ao Senhor.

4)- Por esta santa assembléia, reunida com fé e devoção, no Amor e temor de Deus, rezemos ao Senhor.

É um verdadeiro desleixo com a liturgia equipes que não preparam nem as monições iniciais (caso as use) nem as preces. Em geral apenas “colam” dos jornaizinhos ou liturgia diária, sem levar em conta os aspectos da realidade diocesana, paroquial e comunitária.

Pastoral da Liturgia – Estrutura  Pastoral de âmbito Nacional (CNBB)

Texto originalmente postado na página “Vida Celebrada – Formação Litúrgico Catequética” em 28 de janeiro de 2018 às 12:12h.

A pastoral da Liturgia deveria reunir-se semanalmente para preparação das Missas Dominicais e Festivas, com o objetivo de tornar as celebrações mais participativas e fiéis as tradições criadas pelos primeiros cristãos revividas pelo Concílio Vaticano II. Para isto o cuidado com as clebrações e a criatividade é fundamental.

Como recomenda a CNBB a pastoral da liturgia possui dois tipos de equipe (Equipes de Celebração e Equipe de Pastoral Liturgica)

– o primeiro tipo (Equipes de Celebração) auxilia na celebração propriamente dita. Cada celebração tem a sua equipe de celebração. Por exemplo, equipe de celebração do batismo, equipe de celebração da Missa das 12h no sábado, equipe de celebração das Missas durante a semana, etc.

– “o segundo tipo (Equipe de Pastoral Liturgica) é mais de organização, formação e animação geral da vida litúrgica. É uma equipe que deve estar a disposição das equipes de celebração para orientá-los e auxilia-los nas necessidades. O Documento 43 da CNBB sobre a “Animação da vida litúrgica no Brasil” a ela se refere como a Equipe de Pastoral Litúrgica. Diz ele que, sobretudo na busca de uma Missa sempre bem preparada, “é indispensável ter uma equipe estável de Pastoral Litúrgica, distinta eventualmente das equipes de Celebração. Assim, a Equipe de Pastoral Litúrgica é aquela que, de modo estável, se preocupa com a vida litúrgica da comunidade local, que celebra não somente a Eucaristia, mas também outros sacramentos e sacramentais” (n.º 215).

O documento 43 da CNBB ainda diz que o ideal é que a equipe de Pastoral Liturgica reflita as caracteríticas de cada assembléia na sua diversificação de idade, sensibilidades e engajamentos nas diversas dimensões da pastoral da igreja. A renovação periódica dos seus membros desta equipe é necessário, para evitar monopólios, cansaço, rotina, e para permitir efetivamente a participação da comunidade, é muito importante” (n.º 216).

Quanto às Equipes de Celebração, por sua vez, “além de estarem abertas à participação para um número maior e mais variável de pessoas, podem ser constituídas por grupos definidos, sob a orientação da Equipe de Pastoral Litúrgica. A paróquia terá então as equipes de jovens, dos casais, das catequistas, do quarteirão, do bairro ou do movimento, que vão se revezando na animação das Missas e dos sacramentos” (n.º 217).

Fonte: Dicionário de Catequética, Paulus Editora, 2004

O CUIDADO COM A CELEBRAÇÃO

Seja fiel na criatividade observando os conceitos que dinamizam a liturgia

POR PE. CARLOS GUSTAVO HAAS

Falar de criatividade é uma tarefa complexa e difícil. Afinal, até o Vaticano II, a liturgia viveu uma fase de 400 anos de “imobilismo”, onde nada podia mudar. E mudar, também não é fácil.

Apresento aqui alguns pontos que poderão ser aprofundados numa reflexão individual ou nas equipes de liturgia.

1. “Ser criativos” em uma celebração

Quando queremos “ser criativos” em uma celebração, nossa primeira preocupação deve ser a participação mais plena, ativa e frutuosa da assembleia. O grande motivo para “mudar” palavras, gestos, sinais e ritos não é o gosto da equipe de liturgia ou o que vimos em um show ou mesmo em uma missa transmitida pela TV, mas sim, a maior participação no culto a Deus, integrado em nossa vida atual.

Cito as palavras de Bento XVI na Exortação “Sacramentum Caritatis”, n. 38: “O primeiro modo de favorecer a participação do povo de Deus no rito sagrado é a condigna celebração do mesmo; a arte da celebração é a melhor condição para a participação ativa. A arte da celebração resulta da fiel obediência às normas litúrgicas na sua integridade, pois é precisamente esse modo de celebrar que, há dois mil anos, garante a vida de fé de todos os crentes, chamados a viver a celebração enquanto povo de Deus, ‘sacerdócio real , nação santa’” (cf. 1Pd 2,4-5.9).

2. Ser “criativo” é ser fiel

Temos então um segundo elemento: ser “criativo” é ser fiel. Ser criativo não significa “inventar”. Não podemos confundir “criatividade” com “criativismo” – fazer algo diferente apenas por fazer diferente. Gosto do que escreveu Bento XVI: “A liturgia, por sua natureza, possui uma tal variedade de níveis de comunicação que lhe permitem cativar o ser humano na sua totalidade. A simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e cativam mais do que o artificialismo de adições inoportunas” (Sacramentum Caritatis, 40).

O povo logo percebe quando propomos algo que vem apenas de um gosto ou ideia pessoal, ou quando somos criativos a partir do rito, do momento celebrativo, do mistério que estamos vivenciando.

No Documento 43 da CNBB, Animação da Vida Litúrgica no Brasil, n. 170, lemos: “Por criatividade não se deve entender tirar como que do nada, expressões litúrgicas inéditas. Pelo contrário, a verdadeira criatividade é orgânica: está ligada aos ritos precedentes como o celebrante de hoje aos do passado”.

4 cuidados que devemos ter

1. O “ativismo”: fazer na celebração um “desfile” de vários elementos, símbolos, gestos, ritos, sem silêncio, com movimentos em excesso. É a tentação de querer fazer tudo em uma única celebração.

2. O “intelectualismo”: é quando queremos explicar tudo que acontece em uma celebração. A celebração torna-se “cerebração”, poluída com comentários e mais comentários.

3 .O “espontaneismo”: deixar tudo para última hora, improvisar os ritos e gestos, deixando que aconteça apenas com a boa-vontade dos participantes. A verdadeira espontaneidade não é inventar um gesto. Os gestos mais expressivos da nossa existência são aqueles que, desde a nossa infância, nós enchemos de experiência humana, como abraçar a mãe, juntar as mãos, todos os gestos da oração que, para nós foram o meio próprio de nos encontrarmos com Deus; é aí que nós somos mais espontâneos. A verdadeira espontaneidade consiste em encher de novidade um gesto de sempre, pois os gestos e as palavras das pessoas não podem ser inventados até ao infinito.

4. O “fixismo”: repetir sempre a mesma coisa, caindo no formalismo e na rotina. Acaba cansando a assembleia, pois se torna algo sem o espírito próprio para o qual foi criado.

Enfim, para sermos criativos na liturgia, precisamos levar a sério tudo o que fazemos. A simples modificação de um gesto, sinal, atitude, acarreta uma profunda alteração do significado de muitas ações litúrgicas.

Zelar pela liturgia não significa “engessá-la”. “Liturgia é uma ação ritual, cuja característica é a repetição e a fidelidade à Tradição: “Façam isto (e não outra coisa!) para celebrar a minha memória (…)”. Liturgia não se inventa, se vive. O jogador de futebol não muda as regras do jogo; a cantora não inventa uma nova música, ignorando ou modificando a partitura. Ambos exercem sua criatividade ao entrar de corpo e alma no jogo de futebol ou na música; e dessa entrega nasce uma interpretação sempre nova, atual, surpreendente, tocante. É desse tipo de zelo que a liturgia precisa: unindo conhecimento e respeito pelas regras com entrega total ao ‘jogo’, levando a uma vivência profunda” (Ione Buyst, Liturgia em Mutirão, Edições CNBB, pág. 222).

Pe. Carlos Gustavo Haas é Presbítero da Arquidiocese de Porto Alegre/RS, Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, Mestre em Liturgia pelo Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo, Roma.