O Ocidente: sem Cristo, na tolice e na escuridão

Texto divulgado em 19 de janeiro de 2018 por Dom Henrique Soares da Costa numa rede social.

Casualmente, vi na televisão um programa sobre a Chapada dos Viadeiros. Surpreso, fiquei sabendo de quantas pessoas vivem ali à espera de um contato com extraterrestres. Um desses devotos dos ETs vive numa verdadeira disciplina ascética, preparando-se para o encontro com os seres de outros planetas; é vegetariano, vive na pobreza e fez voto de castidade; chega mesmo a rezar para eles…

Como é louca a humanidade! Como é desorientada a nossa civilização ocidental! Primeiro, a partir do século XVIII, declaramos que o homem se tornara adulto e emancipado. Era necessário matar toda verdade religiosa e tudo quanto não coubesse na cachola miúda da razão humana. Assim, negou-se toda religião sobrenatural, toda revelação de Deus a Israel e inventou-se, no Ocidente, um deus distante, teórico, Arquiteto do Universo, distante, frio e inútil… Depois, nosso Ocidente negou Deus de vez: era preciso matar Deus – dizia-se – para que o homem vivesse de verdade. Assim, esta nossa civilização ocidental, colocou o homem no trono que pertence somente a Deus.

Esta razão endeusada e este homem no centro de tudo (na escola no ensinaram o absurdo que foi um ótimo negócio passar do teocentrismo medieval para o antropocentrismo do renascimento, como se o homem fosse Deus e Deus fosse apenas um detalhe…) levaram o Ocidente a duas guerras crudelíssimas, com mais 70 milhões de mortos… Depois das guerras (do nazismo em nome da razão, do fascismo em nome da racionalidade, do marxismo em nome da ciência e da história), veio a ressaca: não se crê mais em nada: nem no Deus revelado, nem na razão, nem nas instituições, nem nos grandes projetos…

Agora, não é mais o homem no centro; é somente o indivíduo, sozinho, fechado, egoísta, com uma ilusãozinha, uma moralzinha, um projetozinho, um deusinho segundo a sua imagem e semelhança medíocre e escrava de mil paixões…

No vazio de Deus, na negação do cristianismo, o Ocidente encontra-se perdido – alegremente perdido, bebadamente iludido e inconsciente de sua perdição! Procura-se desesperadamente encher o vazio existencial e encontrar um sentido para a vida no consumismo, no poder a qualquer custo, nas drogas, no endeusamento da natureza, no turismo desenfreado, nas seitas, na promiscuidade, na busca frenética pelo prazer e a autoafirmação… É assim: tire Deus, apague o Cristo da consciência do nosso Ocidente e fica somente o vazio, um homem infantilizado, presa das velhas práticas pré-cristãs…

Era para ser claro, palpável: sem Deus, o homem definha, o homem torna-se menos homem. Fomos, todos nós, feitos para o Infinito, para o Absolutamente Outro, o Eterno, e somente nessa abertura encontramos o Sentido, a Direção, o Eixo da nossa existência. O homem não é fruto da natureza; o homem é fruto do Autor na natureza, que nela impregna um desígnio, um sonho de amor: o homem é imagem de Deus, criado para Deus, com um coração que não se contenta com menos que Deus! Tire Deus e endeuse o que não é Deus; elimine o Deus verdadeiro e torne-se escravo de mil ídolos mentirosos!

O cristianismo, na Antiguidade, vencendo o paganismo, deu ao Ocidente a firmeza conceitual e a clareza de visão da vida e do mundo que permitiram o surgimento de uma civilização que tornou-se planetária. Esse Ocidente volta as costas para o Cristo e torna-se presa de todos os infantilismos e escravidões dos quais o cristianismo o havia libertado: desprezo pela vida humana, adoração infantilóide na natureza, falta de sentido para a existência, angústia, medo do sofrimento e da morte…

Que você, meu Amigo, tenha certeza: ainda haveremos de ver muita coisa! A tolice tem ares de sabedoria; a superstição tem pose de religião; a loucura tem fama de profunda lucidez…

Pobre homem, pobre Ocidente! Quanto precisamos de Deus; quantos temos necessidade daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida!

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“Vimos Sua Estrela; viemos adorá-Lo!”

 

Domingo próximo, a Igreja no Brasil celebrará a Solenidade da Epifania do Senhor, aquela conhecida pelo povo como Festa de Reis. A palavra epifania significa manifestação: guiados pela luz do Menino, os magos, pagãos estrangeiros, vêm de longe para homenagear o Recém-nascido. O Menino veio para todos; Ele é “luz para iluminar as nações” (Lc 2,32). Os Magos, essas figuras misteriosas, têm muito que dizer ao mundo atual, a nós: saem de suas terras distantes, de sua lógica, abandonam como que a sua comodidade e deixam-se guiar pela estrela do Menino.

Essa estrela não é um astro qualquer, não tem uma luz como os outros corpos celestes, não pode ser percebida por astrônomos ou capturada por potentes telescópios. Ela somente pode ser percebida pelos humildes de coração, que sinceramente buscam a Deus; ela brilha no coração de cada ser humano que não se fecha para o Mistério: os Magos, com um coração aberto e humilde, viram-na e seguiram-na, deixando sua terra, sua vida… Herodes e Jerusalém, no entanto, não a enxergaram!

Na estrela do Menino aparece claro que Deus deseja a salvação de todos: ninguém fica fora do Seu chamado. No Seu Filho Jesus Cristo, Deus chama toda a humanidade à salvação, bate a porta de cada coração humano. No entanto, com certa desilusão, constatamos que nossa sociedade tem se fechado para a luz do Menino. O século XXI chegou e encontrou uma humanidade com um coração fechado numa civilização com seríssimos traços de morte, que revelam um coração fechado para a luz do Menino, um coração que pode, tragicamente, como Jerusalém e como Herodes, não enxergar a luz que brilhou.

Talvez nunca, como em nossa época, o homem sentiu-se tão fechado em si mesmo, tão autossuficiente… Por isso não pode ver a luz do Salvador. Para vê-la, é necessário ser pequeno, é necessário deixar, é necessário partir a caminho, procurando o Rei que nasceu… Foi isso que os Magos fizeram – e por isso “alegraram-se imensamente” (Mt 2,10). O coração humano somente pode alegrar-se de verdade, de modo consistente e pleno, quando se deixa iluminar pela luz do Cristo: a vida ganha um novo sentido! Os Magos seguiram a luz com humildade, coragem e confiança; alegraram-se com o Menino, pois atingiram o Deus inatingível… E “regressaram por outro caminho” (cf. Mt 2, 12): ninguém que encontre a luz do Menino, que por Ele se deixe iluminar volta do mesmo jeito, pelo mesmo caminho!

Seja esta a graça deste 2018, recém-nascido como o Deus-Menino a quem a Sempre Virgem deu a luz na noite fria de Belém!

Texto de Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares-PE.

O Messias, Acaz e eu

Texto de Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares-PE.

Neste dia 20, na primeira leitura do missa, o sinal do Emanuel…
Texto conhecido, messiânico, cheio de esperança…

Mas, na realidade, desafiador.
O que você faria? O que eu faria? – pergunto-me sempre preocupado, com medo de brincar de crer, ao invés de crer de verdade.
Sim, sim, porque crer não é compreender tudo;
crer é entregar-se,
é abandonar-se,
é verdadeiramente levar a sério que Deus existe e age no mundo e na minha vida!
Não é fácil, às vezes…

Era pelo ano 734 antes de Cristo. Acaz, rei de Judá, descendente de Davi, estava iniciando o seu reinado e já enfrenta um gravíssimo perigo: os reis de Aram e o rei de Israel (o Reino do Norte) preparam-se para invadir Jerusalém e depô-lo do trono, colocando um outro rei, não descendente de Davi, no seu lugar. Judá é fraco; Acaz é um homem frio de coração em relação a Deus: é um judeu infiel ao Senhor.

Diante do perigo dos dois exércitos inimigos, Acaz pensa em pedir ajuda à poderosa Assíria, com seu exército. Certamente, os reis hostis ficariam quietos; pensariam duas vezes antes de atacar Judá, se este fosse aliado dos assírios. O raciocínio de Acaz era lógico, de boa política, de tino estratégico, condizente com alguém que tem a responsabilidade de salvar o seu reino e o seu trono.

E aí, lá vem o profeta Isaías ao encontro do rei na estrada do Campo do Pisoeiro…
Ah! Os profetas! Esses exóticos, com mensagens do Céu! Que trabalho, que dão! Era melhor que não falassem…
Isaías traz um recado do Deus Santo de Israel: Acaz tome as suas providências, mas não procure ajuda na Assíria! Não tenha medo, pois o Senhor garante que os reis de Israel e de Aram não conseguirão invadir Judá nem destroná-lo!

Com base em que esse profeta maluco diz isto? Vai o rei tomar uma decisão tão importante confiando em crenças proféticas?
– Vou eu decidir minha vida, regular minhas decisões crendo em mandamentos de Deus?
Eu não deveria ser realista, não deveria ver as coisas com minha razão e deixar pra lá essas histórias, fruto de sonhos religiosos?

Está aí:
de um lado, a aparente realidade que nossa razão e nosso entendimento alcançam;
de outro, a Palavra de Deus, a promessa de Deus, o sonho de Deus… 
Crer em Deus exige que eu saia de mim, que eu me abandone, que eu dê um salto no escuro (no escuro não; nos braços Dele).
E agora, o que Acaz fez?
O que eu faria?
O que eu faço?

O Profeta chato insiste: “Pede um sinal, rei Acaz, no alto do céu ou embaixo na terra: o Senhor dar-te-á um sinal!”

Mas, diga-me, caro e paciente Amigo meu, que gasta tempo visitando estes escritos:
Para quem não crê, algum sinal resolve?
Para quem não deseja crer, não está disposto a sair de si e apostar nesse Outro, nesse Deus tão soberano, tão livre, tão exigente, algum sinal adianta alguma coisa?

Cinicamente, Acaz finge piedade: “Não! Não pedirei sinal algum! Não vou colocar o Senhor à prova!”
Cínico! Não crê e não está disposto a continuar a conversa: não pedirá sinal, não escutará o profeta; fará como estava planejando, afinal é ele o responsável pelo trono e pelo reino e tem que ser sério, racional, responsável, lógico…
Ah, Acaz! Ah, eu mesmo!

E o profeta, indignado, repreende a fria e cínica incredulidade do rei:
“O Senhor te dará um sinal: tu não sabes ainda, mas a tua jovem esposa concebeu, está esperando um filho teu, um herdeiro para o teu trono! Apesar de não creres, de seres ingrato com o Senhor, Ele olha para a Casa de Davi. Tua descendência continuará! O menino (Ezequias) será a prova de que Deus está conosco e não deixará que Judá sucumba. Ele pode ser apelidado de Emanuel!”

E assim foi, conforme o sinal do Senhor: a jovem havia realmente concebido e deu à luz o Emanuel, o rei Ezequias…
Deus que promete, Deus que cumpre… Deus fiel!

Mas, a história desta profecia não tinha terminado ainda!

Ezequias nasceu, reinou, morreu. Assim os seus descendentes… O tempo foi passando e cada vez que os judeus colocavam os olhos nesta profecia, geração após geração, o Espírito de Deus fazia-os compreender que a promessa ainda tinha um significado mais profundo! Deus enviaria ainda um definitivo Descendente de Davi, um Emanuel insuperável, eterno, santo e justo, que selaria para sempre a promessa: Deus estaria eternamente conosco…

Pelo século II antes de Cristo, os judeus traduziram as Escrituras para o grego.
E aí, na tradução, a esperança de Israel aflorou claramente. Em vez de “a jovem”, escreveu-se “a virgem”; ao invés de “concebeu”, escreveu-se “conceberá”: Eis o sinal que Deus continuava dando ao povo de Israel, sinal de esperança, sonho de salvação:
um dia viria o Messias: uma virgem conceberia e daria à luz o verdadeiro Emanuel!

Eis o modo surpreendente de Deus! O Emanuel seria realmente Deus-conosco, conosco pessoalmente, Deus na nossa humana natureza, eterno entrado no tempo, glorioso feito humilde, sábio feito criança!
Nem Isaías suspeitava o sentido profundo que Deus tinha em mente e no coração quando lhe inspirou aquela profecia!

E eu, às vezes como Acaz, medroso e cheio de dúvidas, contemplo, admiro-me, ajoelho-me, adoro!
– Senhor, pelas preces da Toda Santa Virgem Maria,
Virgem que acreditou,
perdoa-me os momentos de Acaz!
Sustenta minha fé para que eu possa acolher o Teu santo Messias, o Emanuel que nos enviaste há dois mil anos,
que envias a cada dia na Liturgia e na vida
e que enviarás um Dia, para julgar o mundo e a mim!
Pela graça do Teu Deus-conosco,
faze de mim eu-contigo! Amém.

Entre Deus e César

Por Dom Henrique Soares, bispo de Palmares/PE a reflexão do XXIX Domingo Comum.

“Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Eis, caríssimos irmãos no Senhor, a frase que resume perfeitamente a Liturgia da Palavra deste Domingo. Frase tão conhecida, tão repetida e tão poucamente compreendida! E, no entanto, uma das frases mais radicais e revolucionárias do Evangelho; frase que bem serve de bandeira para os crentes do mundo descrente de hoje.

Recordemos o contexto. Os inimigos de Jesus prepararam-Lhe uma inteligente armadilha.
Primeiro O elogiaram com um elogio hipócrita, mas, fiel à realidade, que nos mostra bem a grandeza de caráter do Senhor nosso: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não Te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências”. Que belo elogio! Que belo exemplo a ser seguido!
Mas, eis que vem a armadilha: “É lícito ou não pagar o imposto a César?”
Se Jesus respondesse “sim”, seria acusado de peleguismo, de colaboracionismo com os opressores pagãos romanos, impuros e odiados pelo povo;
se respondesse “não”, seria acusado de revoltoso anti-romano diante de Pôncio Pilatos pelos Seus próprios inimigos;
se respondesse “não sei”, seria desmoralizado como um rabi incompetente e estulto.
Eis, pois: a armadilha era perfeita! Mas, a resposta de Jesus foi mais perfeita ainda, verdadeiramente admirável! Pediu uma moeda, perguntou de quem era a inscrição. Era de César, Tibério César, o Imperador dos romanos… “Então, se usais a moeda de César, é porque César é quem manda de fato! Dai, pois, a César o que é de César!” E, então vem o complemento. Impressionante: “Mas, dai a Deus o que é de Deus!”

Que significa tal resposta? À primeira vista, Jesus estaria dividindo o mundo, as realidades, em duas áreas: uma para Deus e outra para César. Deus e César, lado a lado… Nada disso!
Ao ensinar a dar a César o que é de César, o Senhor nos convida a respeitar as estruturas da sociedade em que vivemos, a levá-las a sério, a bem viver nelas. César, aqui, significa o mundo em que vivemos, com toda sua riqueza, com suas leis e dinâmicas, com sua complexidade.
César é a política, César é a pátria, a família; César são o trabalho, o emprego, o esporte que praticamos; César são os amigos e os sonhos nossos… Tudo quanto é humano e legítimo pode e deve ser apreciado e respeitado pelos cristãos. Podemos dar a César o que é de César, sem medo nem temor! Devemos respeitar as ciências e a técnica com suas capacidades e dinâmicas, devemos respeito às leis e às autoridades legitimamente construídas…
Mas, ao ensinar e exortar a dar a Deus o que é de Deus, o Senhor nos recorda com toda seriedade que somente Deus é Deus.
E o que se deve dar a Deus?
Tudo; absolutamente, tudo!
De Deus é a nossa vida, de Deus é a nossa morte, de Deus é tudo quanto temos, vivemos e somos: Dai a César o que é de César, mas recordai que também César pertence a Deus!
César não é Deus!
E aqui está o genial e admirável da resposta de Nosso Senhor. César se julgava Deus, era chamado “Divino César”, considerava-se senhor da vida e da morte! Ora, Jesus nega a César tal pretensão! César é somente César e, como César, morrerá; é pó que o vento leva! Somente o Senhor é Deus!
A ciência não é Deus, a tecnologia não é Deus, o dinheiro e o poder não são Deus, os grandes do mundo não são Deus, o congresso não é Deus, nossas leis não são Deus! Só o Senhor é Deus!
São Paulo faz eco a essas palavras de Jesus ao nos afirmar: “Tudo pertence a vós: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, as coisas presentes e as futuras.Tudo é vosso; mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus” (1Cor 3,21-23).

A grande tentação nossa é colocar no lugar de Deus os tantos césares da vida. Não se endeusa a ciência? Não se absolutiza a tecnologia, não se adora o sexo? Não se tem a tentação de colocar o homem, o indivíduo e seus desejos e sua lógica limitada e estreita no lugar de Deus? Os grandes do mundo – grandes pelo poder, ou pela riqueza, ou pelo sucesso – não se acham divinos, sem reconhecer, como Ciro, na primeira leitura de hoje, que tudo vem de Deus, que estamos nas Suas mãos, que tudo é, misteriosamente, fruto da Sua providência?

Cristão, tu deves participar da vida da humanidade, deves ser homem entre os homens, deves participar da construção da sociedade… Tu deves saber apreciar o que de bom e de belo existe no mundo… Mas, não te esqueças: nada disso é Deus, nada disso merece tua adoração, nada disso deve prender teu coração; tu não absolutizarás nada disso, nada nem ninguém: nem família, nem pátria, nem amigos, nem posses, ideias ou poder!
Só o Senhor é Deus!
A César, o que é de César; a Deus tudo, pois tudo é de Deus!
Viver assim é crer de verdade, é levar Deus a sério de verdade! Grande ilusão nossa é pensar que podemos colocar Deus no meio de tantos e tantos amores, de tantas e tantas paixões, fazendo dele apenas mais uma, entre tantas realidades da vida. Não! Ele é tudo, Ele é o Tudo, como dizia São Francisco de Assis: “Tu és o Bem, todo o Bem, o Bem universal!”

Caríssimos, que na oração, na experiência da vida sacramental e na escuta da Palavra do Senhor nós aprendamos e reconhecer Deus como Deus na nossa vida, para que, como aconteceu com os cristãos de Tessalônica, na segunda leitura de hoje, estejam diante de Deus sem cessar “a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo”. Amém.

 

Miserando atque eligendo

A expressão em latim que utilizo como texto bíblico de referência foi tirada das Homilias de São Beda o Venerável, sacerdote (Hom. 21; CCL 1, 22, 149-151), o qual, comentando o episódio evangélico da vocação de são Mateus, escreve: «Vidit ergo Iesus publicanum et quia miserando atque eligendo vidit, ait illi Sequere me» (Viu Jesus um publicano e dado que olhou para ele com sentimento de amor e o escolheu, disse-lhe: Segue-me).

jesus chama mateus

Esta homilia é uma homenagem à misericórdia divina e é reproduzida na Liturgia das Horas da festa de são Mateus. Foi justamente como São Mateus se sentiu que me sinto nesta caminhada maravilhosa de discernimento…