Dom Henrique: “A #Imaculada: sinal de uma humanidade plena”

Com as vésperas de hoje, a Igreja começa a celebrar a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Cremos como verdade revelada por Deus que Nossa Senhora, desde o primeiro momento de sua concepção no ventre materno, foi preservada de toda mancha do pecado original graças aos méritos do Cristo Jesus, Salvador de toda a humanidade.

Certamente falar em pecado original no mundo atual pode parecer tolice – mesmo para muitos, na Igreja… Mas não é, desde que se compreenda o que realmente os cristãos afirmam com esta realidade.

A experiência que fazemos é a de sermos quebrados, feridos interiormente, membros de uma humanidade também ferida e quebrada. É a esta realidade que chamamos pecado original: esta situação de contradição e quebradura, que nos leva a atos de rebelião contra Deus e de egoísmo no confronto dos irmãos.
Vão longe os dias dos iluministas do século XVIII, que acreditavam ingenuamente que o homem era por si mesmo um poço de virtudes e de agir racional, desde que fosse educado para tal. Não, não somos assim!
Somos radicalmente bons, criados à imagem de Deus, mas essa bondade é prejudicada e ferida pelo desaprumo de uma humanidade que desde o princípio tem a tendência de fugir do prumo – o prumo é Deus!

Ora, desse atoleiro, dessa incoerência, dessa contradição visceral o homem não se salva sozinho; ele precisa de um Salvador – e tal Salvador é o Cristo nosso Deus, aquele que, nascendo de Maria, de antemão a preservou, pelo sangue de Sua cruz, dessa solidariedade no pecado.
Assim, a Virgem torna-se para nós doce aurora de uma humanidade nova, redimida, reconciliada com o Senhor e consigo mesma.
Nossa Senhora é primeira testemunha da força potente da graça de Cristo, que vence o pecado. Em certo sentido, ela é o primeiro milagre de Cristo, sinal da salvação e da vida que são destino da humanidade!
Em Maria podemos ver que a abertura do homem para Cristo não o humilha nem aliena, mas o restaura, reintegra, e fá-lo capaz de corresponder à altíssima dignidade com a qual Deus o criou e à altíssima vocação com a qual o dotou: ser parceiro de Deus num diálogo que perdura toda esta vida e chega à plenitude feliz na Eternidade.

Que a Festa da Imaculada reacenda em nós esta certeza: apesar de tantas contradições e desaprumos do mundo atual, apesar de a humanidade parecer tão perdida e confusa em seus contra valores, somos amados por Deus, fomos criados bons e chamados a acolher a redenção que Cristo nos traz.
Que a Imaculada nos ajude a compreender o quanto somos preciosos e o quanto, abertos à graça, podemos crescer em liberdade, dignidade e vida plena!

Fonte: Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares/PE.

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