Meditação para o Domingo de Cristo Rei

Meditação de Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares, PE.

Neste último Domingo do Ano Litúrgico, a Igreja nos apresenta Jesus Cristo como Rei do universo. O Evangelho no-lo apresenta cercado de anjos, sentado num trono de glória para o julgamento final da história e da humanidade toda. Ele é Rei-Juiz, é o critério da verdade e da mentira, do bem e do mal, da vida e da morte.
Por mais que a humanidade queira fazer a verdade do seu modo, distorça o bem em mal e o mal em bem e procure a vida onde não há vida verdadeira, vida plena, somente em Jesus Cristo tudo aparecerá, um dia, na sua verdadeira medida, na sua justa realidade, na sua real verdade! 
Eis, meus Irmãos: Nós cremos com toda firmeza que a criação toda, a história humana toda e a vida de cada um de nós caminham para o Cristo e por Ele serão passadas a limpo, Nele serão julgadas! Ele é Rei-Juiz: ao final “todas as coisas estarão submetidas a Ele”, “através de Quem e para Quem todas as coisas foram criadas” (Cl 1,15). Fora dele não haverá salvação, nem esperança nem vida.

Mas, se Cristo Jesus é nosso Rei-juiz, isto se deve ao fato de primeiramente ser nosso rei-Pastor, Aquele que dá a vida pelas ovelhas. Ele é “o que foi imolado”, o mesmo que, com ânsia e cuidado, procura Suas ovelhas dispersas, toma conta do rebanho, cuida da ovelha doente e vigia e vela em favor da ovelha gorda e forte. Eis o nosso Juiz, eis o Juiz da humanidade: Aquele ferido de amor por nós, Aquele que por nós deu a vida, Aquele que Se fez um de nós, colocando-Se no nosso meio!

Atualmente, a nossa civilização ocidental perdeu quase que de modo total a consciência da realeza de Cristo. Dizem hoje, cheios de orgulho: o homem é rei! Gritam: “Não queremos que Este Jesus reine sobre nós! Não queremos que nos diga o que fazer, como viver; não aceitamos limites do certo e do errado, do bem e do mal, do moral e do moral… A não ser os nossos próprios limites. E, para nós, não há limites!” Eis o pecado original, a arrogância fundamental da humanidade atual. Nunca fomos tão prepotentes quanto agora; nunca tão iludidos e enganados como atualmente!

E, no entanto, Cristo é Rei, o único Rei verdadeiro, cujo Reino jamais passará!
Mas esse Rei nos escandaliza também a nós, cristãos. É que Ele não é um rei mundano, estribado na vã demonstração de poder, de glória, de imposição. Não! Ele é o Rei-Pastor que Se fez Rei-Cordeiro manso e humilde imolado por nós; por isso “é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A Ele o poder pelos séculos”.
Atenção, meus caros, que a grandeza e o poder do Senhor neste mundo não se manifestarão na grandeza, mas nas coisas pequenas, na fragilidade do amor, daquele amor que na cruz apareceu como capaz de entregar a vida pelos irmãos.
Gostaríamos de um Cristo-Rei na medida das nossas vãs grandezas; um rei de reino e de reinado deste mundo, à medida do mundo, tendo como programa a pauta do mundo… Gostaríamos de uma Igreja forte, aplaudida, elogiada, reverenciada pelo mundo porque dobra-se ao mundo…
Mas, não! Não pode ser assim! Nunca será assim! A Igreja, continuadora na história do mistério salvífico de Cristo, tem de participar do escândalo do Seu Senhor, da humilhação do seu Senhor, da Páscoa do seu Senhor e Rei! O caminho da Mãe católica neste mundo, de modo misterioso, tem que fazer parte das dores do Reino do Senhor! E faz parte do mistério do Reino a pobreza de Cristo, a mansidão de Cristo, a derrota de Cristo na cruz, o silêncio de Cristo, a morte de Cristo. E tudo isso tem que estar presente também na vida da Igreja e na nossa vida! Por isso, nos exorta São Paulo: “Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos. Fiel é esta palavra: Se com Ele morremos, com Ele viveremos. Se com Ele sofremos, com Ele reinaremos” (2Tm 2,8.11).

Eis, pois, caríssimos no Senhor! Celebremos hoje a realeza de Cristo, dispondo-nos a participar da Sua cruz. Na Igreja, no Reino de Deus, reinar é servir. Sirvamos, com Cristo, como Cristo e por amor de Cristo! No Evangelho desta Solenidade, o critério para participar do Reinado do Senhor Jesus é tê-Lo servido nos irmãos: no pobre, no despido, no doente, no prisioneiro, no fraco… Que Reino, o de Cristo! Manifesta-se nas coisas pequenas, nas pequenas sementes, nos pequenos gestos, no amor dado e recebido com pureza cada dia.

Na verdade, segundo os Santos Padres da Igreja, o Reino de Cristo, o Reino que Ele entregará ao Pai, somos nós; nós, que fizemos como Ele fez, lavando os pés do mundo e servindo ao mundo a única coisa que realmente compensa:
a amor de Cristo,
a verdade de Cristo,
o Evangelho de Cristo,
o exemplo de Cristo,
a salvação de Cristo, a vida de Cristo,
para que o mundo participe eternamente do Reino de Cristo!

Caríssimos no Senhor, despojemo-nos de todo pensamento mundano sobre reis, reinos e coroas. Fixemos nosso olhar no trono da Cruz, Naquele que ali Se encontra despido e coroado de espinhos.
Aprendamos com admiração, estupor e gratidão que nossa mais gloriosa herança neste mundo é participar do Seu Reinado, levando a humanidade a descobrir quão diferentes dos seus são os critérios de Deus.
Quando aprendermos isso, quando a humanidade aprender isso, o Reino entrará no mundo e o mundo entrará no Reino, Reino de Cristo, Reino de verdade e de Vida, Reino de santidade e de graça, Reino da justiça, do amor e da paz.

Domine, adveniat Regnum tuum! – Senhor, venha o teu Reino! Amém.

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Meditação para este XXXIII Domingo Comum por Dom Henrique

Dom Henrique Soares da Costa é bispo de Palmares/PE.

De um modo ou de outro, a Palavra do Senhor sempre nos fala da vida, nos revela o sentido, nos mostra o caminho. Hoje, o Cristo Senhor nos apresenta a existência como um punhado de talentos, de dons, de oportunidades que a providência gratuita e misteriosa de Deus colocou em nossas mãos para que façamos frutificar.
Certamente, jamais compreenderemos por que nascemos desse modo ou somos daquele outro. A vida é um mistério tremendo, Irmãos; tão tremendo, que o Salmista geme, entre admirado e oprimido: “Ainda embrião Teus olhos me viram e tudo estava escrito no Teu livro; meus dias estava marcados antes que chegasse o primeiro. Como são profundos para mim Teus pensamentos, como são grandes seu número, ó Deus!” (Sl 139/138,16s) Podemos, no entanto, ter a certeza de que o Senhor nos deu uma vida, “a cada um de acordo com a sua capacidade”.
Ora, é esta vida, dom de Deus, fruto de um desígnio de amor sem fim, que cada um de nós deve responsavelmente cultivar e fazer frutificar em benefício nosso de dos irmãos. Na mulher forte e industriosa da primeira leitura, aparece um exemplo de alguém que não se contenta simplesmente em passar pela vida, mas vai tecendo o fio da existência com as pequenas fidelidades de cada dia: como essa mulher da leitura, devemos nós, tornar nossa vida fecunda de bem, fecunda de serviço a Deus e aos irmãos. Do mesmo modo, a segunda leitura chama-nos atenção para o fato que nos serão pedidas contas da vida, dom recebido de Deus. Daí, o conselho: “Não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios”.

Caríssimos, uma das grandes tentações do mundo atual é pensar que a existência é nossa de modo absoluto, como se cada um de nós se tivesse criado a si próprio, dado a si próprio a existência. Fechados em si próprios, os homens pensam que podem ser felizes construindo a vida de seu próprio modo, à medida de suas próprias ideias, medidas e objetivos. Ilusão! A vida é dom de Deus e somente nos faz felizes se dela fizermos um diálogo amoroso com o Senhor, Autor e Doador de nosso ser. Mais que talentos na vida, o Senhor nos concedeu a própria vida como um precioso talento! Desenvolvê-lo e ser feliz e buscar não a nossa própria satisfação, não nossa própria medida, não nosso próprio caminho, mas fazer da existência uma busca amorosa e cheia de generosidade da vontade de Deus.
Eis! Somente seremos felizes e maduros quando tivermos a capacidade de arriscar verdadeiramente nos perder, nos deixar para nos encontrar no Senhor, alicerce e fonte de nossa vida. Eis o verdadeiro investimento!
Infelizmente, a dinâmica do mundo hodierno, pagão e ateu, não no ajuda nessa direção. Há distração demais, novidade demais, produto demais a ser consumido; há preocupação demais com uma felicidade compreendida como satisfação de nossos desejos, carências e vontades. Há consciência de menos de que a vida é dom e serviço, doação e abertura para o Infinito; há percepção de menos de que aqui estamos de passagem e de que lá, junto ao Senhor, é que permaneceremos para sempre. Atolamo-nos de tal modo nos afazeres da vida, no corre-corre de nossas atividades, no esforço por satisfazer nossas vontades, na busca de nossa autoafirmação, que perdemos a capacidade de compreender realmente que somos passageiros e viandantes numa existência breve e fugaz que somente valerá a pena será vivida na verdade se for compreendida como abertura para o Senhor e, por amor a ele, abertura generosa e servidora para os outros.

Caríssimos, estejamos atentos à advertência do Apóstolo: “Vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia” O Dia é Cristo, a Luz é Cristo. Viver na luz, viver no dia é viver na perspectiva de Cristo Jesus, é valorizar o que Ele valoriza e desprezar o que Ele despreza. Filhos da Luz, filhos do Dia, do Dia eterno – eis o que deveríamos ser! Deveríamos viver os dias da nossa vida iluminando-os com a esperança do Dia eterno, que levará à consumação e à plenitude os dias fugazes de nossa existência! Mas, com tanta frequência nossa mente e nosso coração, nossos pensamentos e nossos afetos encontram-se entenebrecidos como o dos pagãos… Quão grave para nós, porque conhecemos a Luz, que cremos no Dia que é o Cristo-Deus!

Não nos iludamos, não façamos de conta que não sabemos: todos haveremos de dar contas a Deus de nossa existência, do sentido que lhe demos, daquilo que nela construímos. Queira Deus que nossa vida seja como a do Cristo Jesus: uma verdadeira e amorosa abertura para Deus e uma abertura para os outros! Queira Deus que consigamos, iluminados pela Sua Palavra, nutridos pela Sua Eucaristia e animados pela oração diária, viver nossa existência na perspectiva de Deus, de tal modo que vivamos, vivamos de verdade, vivamos em abundância, vivamos uma vida que valha a pena!
Que o Senhor no-lo conceda pela Sua graça. Amém.

Dom Henrique Soares: “Tua Palavra é Vida para a minha vida”

A Palavra de Deus que, em última análise, é Cristo, é a Verdade da nossa vida!
Isto significa que somente à luz da Palavra, poderemos encontrar o verdadeiro sentido da existência e, caminhando pelo caminho reto, encontrar a plenitude da vida e nela viver.

Se hoje, a angústia, verdadeiro monstro que nos ameaça, é a falta de sentido, a Palavra, que é Cristo, aparece, precisamente como o Sentido!
Então, viver na Palavra é viver na verdade da própria existência, é viver a vida no sentido que Deus pensou para nossa existência e, assim, viver autenticamente, viver na verdade, sem falsear a própria vida. O fruto disso é a paz!
Era isto que São Jerônimo queria dizer à Paula, sua discípula: “Que mel, que manjares podem ser mais doces que conhecer a providência de Deus, penetrar Seus segredos, examinar o pensamento do Criador e ser instruído nas palavras do Senhor, objeto de zombaria dos sábios deste mundo, mas que estão cheias de sabedoria espiritual? Que outros tenham suas riquezas em outros lugares, bebam em copos engastados de pérolas, brilhem com a seda, gozem de popularidade e, por causa da variedade de prazeres, não sejam capazes de vencer sua opulência! Nossas delícias sejam meditar na lei do Senhor dia e noite, chamar à porta que se abre, receber os pães da Trindade e, com o Senhor à frente, pisar as ondas deste século”.

Nós somente seremos nós mesmos na medida em que alicerçarmos nossa existência na Palavra do Senhor: ela nos abre o sentido da vida, o rumo da existência, a direção de nossos passos, dando-nos, assim, o acesso ao país da paz e da salvação!

Poderíamos nos perguntar:
Tenho procurado pelo sentido de minha vida?
Onde o encontro?
Tenho esforçado-me para ver e sentir a partir da Palavra de Deus, que é o próprio Cristo?
Cristo – Sua Pessoa, Suas palavras, sua vida… – tem sido o referencial de minha existência?
Tem sido Ele minha verdade e Vida da minha vida?

Mas, viver na Palavra exige frequentar a Palavra, isto é, a leitura contínua, fiel e crente da Escritura Sagrada. É o que tradicionalmente se chama lectio divina. Trata-se da reverente, piedosa, perseverante e humilde busca da Palavra nas palavras da Escritura!
Ler, escutar, reter, aprofundar, viver a Palavra de Deus contida na Escritura, mergulhar nela com fé e amor: nisto consiste, essencialmente, a lectio divina.

É preciso que tenhamos bem claro que abrir a Escritura é abrir o Coração de Deus, é encontrar a Deus; esta é o livro dos que buscam o Senhor! Como dizia Orígenes: “Nas Escrituras, com o rosto descoberto, contemplamos a Glória do Senhor”.

Por Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares/PE.

Pastoral da Criança realiza atendimento no Jardim Guanabara nesta terça-feira

A Pastoral da Criança, entidade fundada há mais de 30 anos, realiza, em parceria do Instituto Vida Cidadã (IVC), nesta terça-feira (7), a partir das 17h, na Igreja da Comunidade Santo Antônio, no bairro Jardim Guanabara, a celebração da vida. É um momento de oração, atendimento às comunidades carentes com o serviço de peso e medida das crianças, rodas de conversa com os pais e brincadeiras.

Também será oferecido o serviço de escovação dental à população e disponibilizado um coletor da Campanha “Recicle: faça a natureza sorrir”, do Instituto Vida Cidadã, uma iniciativa inédita no Ceará, articulada pelo presidente do IVC, Tadeu Oliveira. A iniciativa visa arrecadar tubos vazios de pasta dental. As embalagens serão transformadas em cadeiras de pesagens, que, por sua vez, serem doadas à Pastoral da Criança.

A Pastoral da Criança está presente em 73 paróquias instaladas em 26 municípios. Mas nem todas contam com a cadeira para fazer a pesagem das crianças.

FONTE: Blog do Eliomar.