Dom Henrique: “A Luz que Cega”.

“Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa, Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia” (São João da Cruz).

O Eclesiástico, falando da relação do Senhor Deus com Moisés, diz assim: “Na fidelidade e doçura Ele o santificou, escolheu-o entre todos os viventes; fez-lhe ouvir a Sua voz e o introduziu nas trevas” (Eclo 45,4-5).

Estranhas e belas, estas palavras… Exprimem muito bem o modo de agir de Deus com os Seus amigos, com os místicos de todos os tempos…

Por um lado, o Senhor educa Seus amados; vai, pouco a pouco, conduzindo-os com fidelidade e doçura, atraindo-os a Si, santificando-os (isto é, fazendo-os entrar na Sua vida bendita, na Sua santidade bem-aventurada).

Interiormente, de modos inexplicáveis, o Senhor vai falando aos Seus, vai educando-os, vai entabulando com eles um verdadeiro diálogo de amizade e amor…

Mas, por outro lado, vai introduzindo-os nas trevas. Isto mesmo! Quanto mais Deus Se aproxima de alguém, mas faz o fiel perceber o quanto Ele está para além de tudo, o quanto não pode ser abarcado, compreendido, domesticado! E, então, cresce a saudade medonha daquele que foi conquistado pelos carinhos do Senhor e, por outro lado, aumenta mais e mais a consciência da distância: Deus é Grande demais, Santo demais, Incompreensível demais, Luminoso demais para caber nas nossas pobres medidas!

Que resta ao fiel? Abandonar-se, entregar-se, com total pobreza interior, com doce confiança naquele misterioso Amigo que Se revela escondendo-Se. Ele é uma Luz tão intensa que nos cega! Por isso dizia São João da Cruz: “Deus, para nós, nesta vida, é nem mais nem menos que noite escura!”

De noite, mesmo de noite, não nos cansemos de buscar a Fonte! Deixemo-nos guiar por nossa sede, como a corça que procura o riacho… Que assim nossa alma procure o Senhor!
– Ó Senhor, preenche meu desejo com Tua luz, Tua doçura e Tua paz!
Recolhe em Ti todas as minhas sedes!
Sacia de Tua paz inquieta o meu coração!

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“Uma carta vinda da Pátria”, por D. Henrique

Caro Amigo, para você, este trecho de um sermão de São Cesário de Arles (470-543), monge e bispo:

Prestai atenção, caríssimos irmãos: as Sagradas Escrituras foram-nos transmitidas por assim dizer como cartas vindas da nossa Pátria. Com efeito, a nossa pátria é o paraíso; os nossos pais são os patriarcas, os profetas, os apóstolos e os mártires; os nossos concidadãos são os anjos; o nosso rei é Cristo.
Quando Adão pecou, fomos, por assim dizer, lançados no exílio deste mundo. Mas, porque o nosso Rei é fiel e misericordioso mais do que se possa imaginar ou dizer, dignou-Se enviar-nos, por intermédio dos patriarcas e dos profetas, as Sagradas Escrituras, como cartas de convite, pelas quais nos convidava para a nossa eterna e primeira pátria… Em razão da Sua inefável bondade, convidou-nos a reinar com Ele.

Nessas condições, que ideia farão de si mesmos os servos que… não se dignam a ler as cartas que nos convidam à bem-aventurança do Reino ?… “Aquele que ignora será ignorado » (1Cor 14,38).
Na verdade, aquele que negligencia procurar Deus neste mundo pela leitura dos textos sagrados, Deus, por Seu lado, recusar-Se-á a admiti-lo à Bem-aventurança eterna. Ele deve temer que lhe fechem as portas, que o deixem fora com as virgens loucas (Mt 25,10) e que mereça ouvir : «Não sei quem vós sois; não vos conheço; afastai-vos de Mim, vós todos que fizestes o mal”…
Aquele que quiser ser escutado favoravelmente por Deus deve começar por escutar Deus. Como teria a veleidade de querer que Deus o escute favoravelmente, se prestou tão pouca atenção que até negligenciou ler os Seus preceitos?

Miserando atque eligendo

A expressão em latim que utilizo como texto bíblico de referência foi tirada das Homilias de São Beda o Venerável, sacerdote (Hom. 21; CCL 1, 22, 149-151), o qual, comentando o episódio evangélico da vocação de são Mateus, escreve: «Vidit ergo Iesus publicanum et quia miserando atque eligendo vidit, ait illi Sequere me» (Viu Jesus um publicano e dado que olhou para ele com sentimento de amor e o escolheu, disse-lhe: Segue-me).

jesus chama mateus

Esta homilia é uma homenagem à misericórdia divina e é reproduzida na Liturgia das Horas da festa de são Mateus. Foi justamente como São Mateus se sentiu que me sinto nesta caminhada maravilhosa de discernimento…

Preghiera Semplice #SanFrancesco #SanFrancescoDAssisi #SãoFrancisco

O Signore, fa’ di me uno strumento della tua Pace:

Dove è odio, fa’ ch’io porti l’Amore;

Dove è offesa, ch’io porti il Perdono;

Dove è discordia, ch’io porti l’Unione;

Dove è dubbio, ch’io porti la Fede;

Dove è errore, ch’io porti la Verità;

Dove è disperazione, ch’io porti la Speranza;

Dove è tristezza, ch’io porti la Gioia;

Dove sono le tenebre, ch’io porti la Luce. +

O Maestro, fa ch’io non cerchi tanto:

Essere consolato, quanto consolare;

Essere compreso, quanto comprendere;

Essere amato, quanto amare. +

 

Poichè, cosi è: Dando, che si riceve;

Perdonando che si è perdonati;

Morendo, che si riuscita a Vita Eterna. +

 

FONTE: Casa Editrice Francescana Assisi.

Quem foi São Francisco?

Em 1182 em Assis, na Itália, nasce Francisco, filho de um rico comerciante de tecidos e de uma nobre senhora. Toda a sua vida, principalmente na infância e juventude, foi marcada pelo luxo, graças ao dinheiro da família.

Em defesa de sua cidade, combate contra Perúgia em 1202. Na batalha de Colestrada é preso. Sonha ser cavalheiro e decide ir combater em Puglia, mas em Espoleto uma visão e uma voz misteriosa o fazem parar. Volta a Assis e inicia o longo período que ele mesmo chama de “conversão”. Em 1206 vai como peregrino a Roma, onde se mistura aos mendigos, trocando suas ricas vestes com um deles e se põe a pedir esmolas. Voltando a Assis ocupa-se com os pobres e leprosos; um dia, enquanto ora na igrejinha de São Damião, o Crucifixo lhe diz: “Francisco, reconstrói a minha casa que está em ruínas”.

Diante do bispo de Assis renuncia a tudo devolvendo ao pai até as vestes que usava e exclama: “De hoje em diante poderei dizer livremente: Pai nosso que está nos céus, não pai Pedro Bernardone”. Junto à Igreja de Santa Maria dos Anjos, estabelece a sua morada.

Na festa de São Matias, depois de ter ouvido a explicação do sacerdote sobre o trecho do Evangelho exclama: “É isto que eu quero, é isto que peço, é isto que busco fazer de todo coração”. Alguns jovens de Assis seguem seu exemplo: nasce a Ordem Franciscana. Isto se deu no ano de 1209. Em abril dirige-se a Roma com seus companheiros e obtém do papa Inocêncio III a aprovação da Regra.

Prega o Evangelho em muitos lugares e cidades da Itália. Reúne todo ano os frades em capítulo e os envia às várias nações.

Funda, com Santa Clara, a Segunda Ordem, chamada das Clarissas em 1211.

Desejoso do martírio viaja para o Oriente. Lá passa dois anos. Em 1221 celebra o capítulo das esteiras em Assis e se demite do posto de superior. Nesse mesmo ano é fundada a Ordem Terceira.

Em 29 de novembro de 1223 redige ou escreve a nova Regra da Ordem que é aprovada pelo papa Honório II. Nesse mesmo ano, em Greocio no Natal relembrando o nascimento de Jesus, prepara ao vivo o primeiro presépio.

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Já doente, em 1224, vai para o monte Alverne e lá recebe de Jesus as sagradas chagas.

Quase cego, nos primeiros meses do ano em Fonte Colombo submeteu-se a uma operação na vista. Na primavera, retorna a Assis, onde a 03 de outubro de 1226, na hora das vésperas morre, cantando o salmo 141.

Em 16 de Julho de 1228 é canonizado, ou seja, declarado santo, pelo papa Gregório IX.

Em 1935 é proclamado patrono da Itália pelo papa Pio XII.

É proclamado patrono da ecologia em 1979 pelo papa João Paulo II.

 

FONTE: Site do Santuário de Canindé.

Devocionário

                                 Com a proximidade dos festejos de dois dos santos de minha devoção, irei publicar como posts os conteúdos que incluí na página Devocionários. Dessa forma, acredito que ficarão acessíveis para os visitantes do blog. O primeiro que ganhará postagem será São Francisco. Aguarde!