“Natal no Ano Mariano Nacional” por Dom José Antonio

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Imagem extraída do site da Arquidiocese de Fortaleza.

Estamos celebrando mais uma vez o Natal de Jesus, expressão maravilhosa da misericórdia divina: Deus que vem ao nosso encontro pelo Mistério da Encarnação do Filho Eterno no seio da Virgem Maria para a salvação da humanidade.

A graça da Encarnação já se expressa na maravilha da transformação da natureza humana decaída na Imaculada Conceição da Virgem Maria, preservada do pecado pelos méritos de Jesus Cristo. E nela a humanidade vislumbrará seu próprio destino na redenção em Cristo, do pecado para a graça, para a participação na vida divina.

15b A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos. 16 Também, o dom é muito mais eficaz do que o pecado de um só. Pois a partir de um só pecado o julgamento resultou em condenação, mas o dom da graça frutifica em justificação a partir de inúmeras faltas. 17 Por um só homem, pela falta de um só homem, a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, de Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça. 18 Como a falta de um só acarretou condenação para todos os homens, assim o ato de justiça de um só trouxe, para todos os homens, a justificação que dá a vida. 19 Com efeito, como pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida numa situação de pecado, assim também, pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça.” (Rm 5, 15b – 19)

Por misteriosa condescendência divina, em Jesus Cristo a humanidade passa a uma nova situação de justiça. Em Maria, Mãe de Jesus, esta situação é dada como preservação em sua imaculada concepção; a toda a humanidade será dada como redenção pela graça da pregação do Evangelho, a Fé no dom do Espírito Santo. Assim a Igreja reza confiante: Sol de justiça, a quem a Virgem Imaculada precedeu como aurora resplandecente, – concedei que caminhemos sempre à luz da vossa presença. Ó Deus, que preparastes uma digna habitação para o vosso Filho pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo o pecado em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chegar até vós, purificados também de toda a culpa, por sua materna intercessão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.” (da Liturgia de 8 de dezembro)

Esta participação na vida da graça é oferecida toda a humanidade pela missão do Evangelho. O tempo do Advento, preparação para a celebração do Natal do Senhor, do Deus que vem, do Deus-conosco (Emanuel), reporta-se a todo o movimento de evangelização que partiu de Cristo para chegar aos confins da Terra, no espaço e no tempo. Vivemos também a chamada CAMPANHA DA EVANGELIZAÇÃO, que a todos convoca para dar com alegria e efusão o dom recebido e experimentado: a vida no Amor de Deus. Como Maria, fecunda do Espírito dá à luz e ao mundo Jesus, hoje a Igreja – Corpo Místico de Cristo – Deus-conosco, com alegria e efusão do Espírito é enviada para o dom do Evangelho a toda criatura, a todos os recantos da vida, a todas as periferias da existência, a toda a terra.

Em campanha todos somos convocados (chamados juntos) a testemunhar e anunciar a alegria do Evangelho com meios espirituais e materiais. Uma palavra de Jesus a seus discípulos torna-se atual referência: “Dai de graça o que de graça recebestes.” (Mt 10,8) O Evangelho é a difusão do Amor. Da primeira agraciada, Maria – Mãe de Jesus – feita Mãe dos homens, recebemos a educação de filhos para esta difusão da graça. Onde a necessidade a que a mãe não seja levada a socorrer? Com Maria no Natal de Jesus durante todo o ano e toda a vida.

+ José Antonio Aparecido Tosi Marques

Arcebispo Metropolitano

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Missas de Natal na Paróquia de Lagoa Redonda

Hoje, sábado, dia 24/12:

17h, Capela Nossa Senhora de Fátima;

19h, Igreja Matriz São José.

Amanhã, domingo, dia 25/12:

7h, Igreja São José;

9h, Capela de Santa Edwiges;

17h, Capela de São Roque;

19h, Igreja Matriz de São José.

 

Maiores informações: (85) 3476-2038.

DETALHE – Informações colhidas com a Secretaria Paroquial e com a Coordenação da Comunidade.

Entendendo a Palavra: a Noite do Natal do Senhor Jesus

“A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens!” Esta palavra da segunda leitura desta Noite santíssima exprime de modo admirável o sentido da Festa de hoje.

Vinde, caríssimos, seguindo a indicação do Anjo aos pastores, aproximemo-nos do Presépio! Para nossa surpresa, encontraremos, envolto em faixas, reclinado na manjedoura, Aquele que é a Graça de Deus feita carne, feita gente, feita um de nós; a graça de Deus com rosto humano! Que Mistério tão grande e tão doce!

Andávamos perdidos, como tantos ainda hoje – cada vez mais, ainda hoje! Não tínhamos um sentido para a vida; éramos presos por nossas paixões, escravos de nossos desejos desencontrados, entregues aos nossos próprios pensamentos, que levam ao nada. Orgulhosos, seguíamos, cada um de nós, suas próprias idéias. Como os pagãos de hoje, pensávamos que éramos livres por fazermos o que queríamos, por seguir nossa tênue e obscura luz… E, no entanto, éramos escravos de nós mesmos e de um mundo cego e perverso… Não sabíamos o que fazer com a vida, com a dor, com nossos instintos e tendências, com as feridas da existência; não compreendíamos o sentido do nosso caminho, não conseguíamos vislumbrar a estrada para a verdadeira felicidade e a verdadeira paz. O homem sozinho não consegue se vencer, não consegue se superar, não consegue se libertar… Nossa vida parecia, como a dos pagãos de hoje, uma fiada de futilidades vazias de verdadeira alegria e nosso destino seria a morte, vazia e sem sentido. Ainda hoje, tantos pagãos, nossos amigos e familiares, nossos distantes e nossos próximos, vivem assim! Ainda hoje, há tantas lâmpadas na nossa cidade e tão pouca luz!

Mas, para nós, nesta Noite mil vezes abençoada, “a Graça de Deus Se manifestou”! Nós vimos a Luz, Aquela que é capaz de iluminar a nossa existência! Jesus – eis o mais doce dos nomes; eis o nome dessa Graça bendita, Graça com jeito, choro, e sorriso de recém-nascido! Vinde, vinde contemplá-Lo! Ele veio para nossa salvação! Veio para nos arrancar de nós mesmos, de nosso horizonte fechado e estreito; veio para abrir nosso pensamento, nosso sentimento, nossa vida, abri-los à dimensão do coração de Deus, fazendo-nos felizes e verdadeiramente humanos! Não seremos nós mesmos, não seremos realizados, não seremos livres, a não ser abrindo-nos para Ele! Acolhamos a Graça e vivamos uma Vida nova: “Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo, com equilíbrio, justiça e piedade!” Ele veio, irmãos, porque, sozinhos, não conseguimos encontrar a verdade de nossa vida… Ele é a nossa Verdade, Ele é a nossa Vida!

Caríssimos, cada vez mais o mundo cai na treva, no paganismo, na cegueira. Tocamos, mais que nunca, a descristianização, a dissolução da família, a propagação do mal, a desmoralização de toda moral, de toda dignidade, de todo valor verdadeiro, a difusão de um pensamento anticristão e contrário aos santos ensinamentos da Igreja de Cristo. Nesta Noite sacratíssima, quantos estão se embriagando, quantos adulterando, quantos, pelas emissoras de rádio e televisão, pela internet, estão se esbaldando em uma programação mundana; quantos, nesta Noite esplendorosa e doce, nem sabem que existe uma esperança, um sentido, uma mão de Deus estendida para toda a humanidade. Quantos, amados irmãos, dizendo-se ainda cristãos, vivem no pecado, aplaudem o que condenável pela santa Palavra de Deus, o que é vil aos olhos do Senhor; quantos há que se dizem cristãos e pensam e sentem e vivem como o mundo que não viu nem conheceu a Graça de Deus que hoje nos apareceu! Eis que a Graça de Deus, hoje nascida do ventre da Sempre Virgem, convida-nos à conversão, convida-nos a uma séria mudança de modo de viver. Não seremos cegos, se vivermos na Sua luz; não seremos perdidos, se seguirmos Seus passos; não viveremos na morte, se nos abrirmos para a Sua Vida!

Precisamente no solene Natal do Senhor, num de seus sermões, Santo Agostinho exclamava: “Expergiscere, homo: quia pro te Deus factus est homo” – “Desperta, ó homem, porque por ti Deus Se fez homem!”! E o santo Bispo de Hipona continuava: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá! Por tua causa, repito, Deus Se fez homem! Estarias morto para sempre, se Ele não tivesse nascido no tempo. Jamais te libertarias da carne do pecado, se Ele não tivesse assumido uma carne semelhante à do pecado. Estarias condenado a uma eterna miséria, se não fosse a Sua misericórdia. Não voltarias à vida, se Ele não tivesse vindo ao encontro da tua morte. Terias perecido, se Ele não te socorresse. Estarias perdido, se Ele não viesse salvar-te”.

Caríssimos, tomemos consciência de tão grande graça! Nesse Menino que repousa no presépio foi-nos dada a força para sair do sono miserável de uma vida medíocre e vazia, de uma existência morna e sem elã. Desperta, ó cristão, porque hoje brilhou para ti a luz! Por ti, o Filho eterno fez-Se um de ti! Até onde Deus está disposto a te mostrar o Seu amor, a tirar-te de tua vida vazia! Como exclamava a Liturgia medieval na Noite de hoje: “Aquele que deu forma a todas as coisas recebe a forma de escravo; Aquele que era Deus é gerado na carne; eis que Ele é envolvido em panos, Aquele que era adorado no firmamento; e eis que repousa numa manjedoura Aquele que reinava no Céu”. Despertemos, caríssimos! Que nossa alegria desta Noite, que a paz que inunda o nosso coração, transborde numa vida mais comprometida com o Cristo Jesus! Que nossa existência seja realmente conforme a santidade e a liberdade Daquele que hoje nasceu da Virgem Santíssima! “Porque nasceu para nós um Menino, foi-nos dado um Filho; Ele traz nos ombros a marca da realeza; o nome que Lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz”. A Ele a glória, pelos séculos dos séculos. Amém.

Feliz Natal, caro Amigo deste espaço digital!
Tudo passa… Somente o Senhor é o mesmo, ontem, hoje e por toda a Eternidade!
Que o Deus nascido da Virgem tenha piedade de nós!

Por Dom Henrique, bispo de Palmares. Texto publicado na rede social Facebook.

Rezando com a Palavra no #Natal do Senhor

A Igreja celebra a Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. (Cor Branca).

Leituras: 

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MISSA DA NOITE [24/12] – Is 9,1-6; Sl 95(96), 1-2a.2b-3.11-12.13 [R/. Lc 2,11]; Tt 2,11-14; Lc 2,1-14.

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MISSA DA AURORA [madrugada do dia 25/12]: Is 62,11-12; Sl 96(97),1.6.11-12; Tt 3,4-7; Lc 2,15-20.

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MISSA DO DIA [25/12]: Is 52,7-10; Sl 97(98),1.2-3ab.3cd-4.5-6 [R/. 3cd]; Hb1,1-6; Jo 1,1-18 ou (mais breve) 1,1-5.9-14.

Fonte: Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Brasília: Edições CNBB. 2015, p.214.

“Proposições Natalinas” por Felipe Feijão

1. O Natal é uma festa cristã.

2. O sentido do Natal é celebrar e recordar a vinda de Jesus ao mundo.

3. Jesus encarnado na natureza humana que se manifesta aos homens.

4. Para os que professam a fé e para os que não a professam esse acontecimento, possui profundos significados.

5. A sociedade contemporânea ao deslocar o eixo do sentido do Natal para si mesma, se encontra imersa num vazio.

6. O sentido do Natal parece estar suplantado pela avalanche do comércio, dos pisca-piscas, dos presentes.

7. Os enfeites, o clima luminoso que toma conta dos ambientes, o Papai Noel e as atratividades comerciais não representam o Natal.

8. O sentido do Natal é essencialmente religioso.

9. O que é essencial é necessário.

10. Se a representatividade perde seu principal sentido e elementos superficiais passam significar o sentido essencial e necessário, há uma troca de valores.

11. O que é superficial está na superfície elementar que compõe o sentido.

12. O que é essencial está na profundidade da imprescindibilidade componente do sentido.  

13. O reflexo da troca de valores explícita é expresso pela sociedade do consumo, do descarte, da liquidez e da selvageria.

14. Os elementos citados acima no ponto 3, são denominados elementos. Fazem parte e são importantes, mas o cerne da comemoração não pode ser a troca de presentes, o Papai Noel ou os enfeites natalinos.

15. O tempo natalino é propício para examinar a consciência e para uma reflexão de vida, uma vez sendo observado o sentido do Natal. O clima e o encanto se tornam favoráveis. 

16. Acolher o Natal também é saber repartir o pão da ceia, reconhecer e se incomodar com as injustiças que marcam a sociedade.

17. Para além de felicitações superficiais, o desejo de um “feliz natal”, precisa ser sincero e não pode se tornar banal, visto que é um voto simbolizado por um sentido profundo.

18. As superficialidades natalinas momentâneas acima descritas passam junto com o final do ano.

19. O sentido profundo do Natal permanece.

20. Um feliz natal, vivenciado na sua essência e profundidade!

DETALHE – Felipe Augusto Ferreira Feijão foi aluno da Faculdade Católica de Fortaleza, é aluno do Curso de Filosofia da Universidade Federal do Ceará e escreve com frequência para o Jornal O Estado, para o Jornal O Povo e para o Portal Tribuna do Ceará. E já estrá convidado para escrever para este nosso projeto de evangelização que é o Portal da Capela.

“Verdades sobre o Natal” por Prof. Felipe Aquino

1. O Papai Noel é um mito, Jesus é uma realidade! Papai Noel é um deleite, Jesus um Sacrifício.

2. A nossa expectativa em esperar o Natal é a mesma de toda a humanidade de todos os tempos a espera de que o Filho de Deus viesse a nós, em nossa natureza, para de novo ligar o Céu com a Terra.

3. O Natal nos lembra que estamos mergulhados no amor de Deus e não damos conta disso.

4. “Estarias morto para sempre, se Ele não tivesse nascido no tempo. Jamais te libertarias da carne do pecado”. (Santo Agostinho)

5. “O Natal é a primeira festa litúrgica, o recomeçar do ano religioso, como a nos ensinar que tudo recomeçou ali”. (Dom Fernando Rifan)

6. “O Natal é o terreno seguro e sempre fecundo, onde brota a esperança da humanidade”. (São João Paulo II)

7. “Se não tens nem incenso nem ouro para oferecer a Jesus, oferece-Lhe a mirra do teu sofrimento!” (São Pio de Pietrelcina)

8. Deus se fez homem e nasceu entre nós de maneira humilde e silenciosa, para dizer a cada pessoa de maneira muito concreta: “Eu te amo!”

9. Depois que o Verbo se fez Homem, assumiu nossas dores e sepultou a nossa morte, com a Sua morte, ninguém mais pode duvidar do Amor de Deus.

10. “És Maria, a beleza e o esplendor da terra, és o protótipo da santa Igreja. Por uma mulher, veio a morte, por outra mulher a Vida.” (Santo Agostinho)

SOBRE O PROFESSOR FELIPE AQUINO – é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.

FONTE: Site da Editora Cléofas <http://cleofas.com.br/10-verdades-sobre-o-natal/&gt;.

Entendendo a Palavra: 4º Domingo do Advento

Escrito por Dom Henrique, bispo de Palmares, PE. Texto extraído da rede social Facebook.

Estamos às portas do Santo Natal. Eis o que vamos contemplar nos ritos, palavras e gestos da sagrada liturgia: o Verbo eterno do Pai, o Filho imenso, infinito, existente antes dos séculos, fez-Se homem, fez-Se criatura, fez-Se pequeno e veio habitar entre nós. Sua vinda ao mundo salvou o mundo, elevou toda a natureza, toda a criação.
Mas, atenção: a Palavra de Deus hoje nos diz que este acontecimento imenso, fundamental para a humanidade e para toda a criação, passou pela vida simples e humilde de um jovem carpinteiro e de uma pobre menina-moça prometida em casamento numa aldeia perdida e pobre das montanhas da Galileia. O Deus infinito dobrou-Se, inclinou-Se amorosamente sobre a pequena e pobre realidade humana para aí fazer irromper o Seu plano de amor!
Acompanhemos piedosamente o Evangelho deste Quarto Domingo do Advento.

São Mateus diz que a Mãe de Jesus “estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo”. As palavras usadas pelo Evangelista são simples, mas escondem uma realidade imensa, misteriosa, inaudita.
Pensemos em José e Maria, ainda jovens. Eles certamente se amavam; como todo casal piedoso daquela época pensavam em ter filhos – os filhos eram considerados uma bênção de Deus. Mas, eis que antes de viverem juntos, a Virgem se acha grávida por obra do Espírito Santo! Deus entra silenciosamente na vida daquele casalzinho. Nós sabemos, pelo Evangelho de São Lucas, que Maria disse “sim”, que Maria acreditou, que Maria deixou que Deus fosse Deus em sua vida: “Eu sou a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38)
De repente, eis que uma vida de família, que tinha tudo para ser pacata e serena, viu-se agitada por uma tempestade! Por um lado, a Virgem diz “sim” a Deus e, sem saber o que explicar ou como explicar ao noivo, cala-se, abandonando-se confiantemente nas mãos do Senhor. Por outro lado, José sabe que o aquele filho não é seu; não compreende como Maria poderia ter feito tal coisa com ele: ser-lhe infiel… E, no entanto, não ousa difamar a noiva. Resolve deixá-la secretamente.
Quanta dor, quanta dúvida, quanto silêncio: silêncio de Maria, que não tem o que dizer nem como explicar; silêncio de José que, na dor, não sabe o que perguntar à noiva; silêncio de Deus que, pacientemente, vai tecendo a Sua história de salvação na nossa pobre história humana. E, então, como fizera antes com a Virgem, Deus agora dirige Sua palavra a José: “José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu Lhe darás o nome de Jesus, pois Ele vai salvar o Seu povo de seus pecados”.
Atenção aos detalhes! O Anjo chama José de “filho de Davi”. É pelo humilde carpinteiro que Jesus será descendente de Davi. Se José dissesse “não”, Jesus não poderia ser o Messias, Filho de Davi! Note-se que é José quem deve dar o nome ao Menino, reconhecendo-o como seu filho. Note-se ainda o nome do Menino: Jesus, isto é, “o Senhor salva”! Deus, humildemente, revela Seu plano a José e, depois de pedir o “sim” de Maria, suplica e espera o “sim” de José. E, como Maria, José crê, José se abre para Deus em sua vida, José mostra-se disposto a abandonar seus planos para abraçar os de Deus, José diz “sim”: “Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa!”

Eis! Adeus, para aquele casal, ao sonho de uma vida tranquila! Adeus aos filhos nascidos da união dos dois! Agora, iriam viver somente para Aquele Presente que o Senhor lhes havia dado, para a Missão que lhes tinha confiado… O plano de Deus passa pela vida humilde daquele casal. Para que São Paulo pudesse dizer hoje na Epístola aos Romanos que é “apóstolo por vocação, escolhido para o Evangelho… que diz respeito ao Filho de Deus, descendente de Davi segundo a carne”, foi necessária a coragem generosa da Virgem Maria e o sim pobre e cheio de solicitude do jovem José. Para que a profecia de Isaías, que ouvimos na primeira leitura, fosse concretizada, foi necessário que aquele jovem casal enxergasse Deus e seu plano de amor nas vicissitudes de sua vida humilde e pobre!

Também conosco é assim! O Senhor está presente no mundo. O que veio pela Sua bendita Encarnação, nunca mais nos deixou. Na potência do Seu Espírito Santo, Ele Se faz presente nos irmãos, nos acontecimentos, na Sua Palavra e, sobretudo nos sacramentos. Sabemos reconhecê-Lo? Abrimo-nos aos Seus apelos? E na nossa vida: essa vida miúda, como a de José e Maria, será que reconhecemos que ela é cheia da presença e dos apelos do Senhor? No Advento, a Igreja não se cansa de repetir o apelo de Isaías profeta: “Céus, deixai cair o orvalho; nuvens, chovei o Justo; abra-se a terra e brote a Salvador!” (Is 45,8). É interessante este apelo: a salvação choverá do céu, vem de Deus, é dom, é graça… Mas, por outro lado, ela brota da terra, da terra deste mundo ferido e cansado, da terra da nossa vida miúda e, por vezes, ressequida e sem graça…

Supliquemos à Virgem Maria e a São José que intercedam por nós, para que sejamos atentos em reconhecer o Senhor nas estradas de nossa existência e generosos em corresponder aos Seus apelos, como o sagrado casal de Nazaré. Assim fazendo e assim vivendo, experimentaremos aquilo que o Carpinteiro e sua santa Esposa experimentaram: a presença de Jesus no dia-a-dia humilde de nossa vida.