Uma Igreja sempre fundada pelo Senhor

Por Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares / PE.

Durante todo o tempo pascal a Igreja nos faz contemplar o Ressuscitado e o fruto da Sua obra: o dom do Espírito, que nos santifica, sobretudo pelos sacramentos que nascem do lado aberto do Salvador; sacramentos celebrados pela Igreja, Esposa do Cordeiro, desposada no leito da cruz…

Neste Tempo sagrado, precisamente, é para a Igreja, comunidade nascida da morte e ressurreição de Cristo, que a Palavra de Deus orienta o nosso olhar.

Primeiramente, é necessário que se diga sem arrodeios:
Cristo sonhou com a Igreja, a amou e fundou-a.
A Igreja, portanto, é obra do Cristo, foi por Ele fundada e a Ele pertence! Ela não se pertence a si mesma, não se pode fundar a si própria, não pode estabelecer ela própria a sua verdade.
A Igreja não é nossa; é de Cristo, somente de Cristo! Tudo nela deve referir-se a Cristo e a Ele – somente a Ele! – deve conduzir!

Eis aqui uma realidade que deveríamos ter presente e compreender bem: não é muito preciso, não é muito correto dizer que Cristo “fundou” a Igreja. Não! É mais que isto, muito mais!

A fundação da Igreja não terminou ainda: Cristo continua fundando, Cristo funda-a ainda hoje, ainda agora, por exemplo, em cada Eucaristia sagrada!

Continuamente, o Cordeiro de pé como que imolado, Cabeça da Igreja que é o Seu Corpo, funda, renova, sustenta, santifica, Sua dileta Esposa pela Palavra e pelos sacramentos: “Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentá-la a Si mesmo a Igreja, gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível!” (Ef 5,25-27).

São afirmações impressionantes, belas, profundas:

(1) Cristo amou a Sua Igreja e, por ela, morreu e ressuscitou;

(2) Pela Sua morte e ressurreição, de amor infinito, Ele purifica continuamente a Sua Igreja, santifica-a totalmente, sem desfalecer. Por isso a Igreja é santa, será sempre santa e não poderá jamais perder tal santidade, apesar das infidelidades de seus membros!

(3) Este processo de contínua fundação e santificação da Igreja em Cristo dá-se pelo “banho da água” – símbolo do Batismo e dos sacramentos em geral – e pela “Palavra” – símbolo da pregação do Evangelho.

Então, Cristo continua edificando Sua Igreja neste mundo pela Palavra e pelos sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia. A Igreja é totalmente ligada a Cristo – é Seu Corpo! -, é totalmente dependente de Cristo – Dele recebe nos sacramentos o Espírito de Ressurreição, que é energia, vida, direção. Como o corpo à cabeça, como os ramos ao tronco, a Igreja inteira e cada um de nós, é totalmente ligada e dependente do Senhor, o Ressuscitado, o Salvador do Corpo, o Cordeiro Vivo e Vivificante!

Eis o fruto da Páscoa do Senhor!

Dia 28/03/16 no Facebook.

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Mil razões para louvar a agradecer

Por Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares / PE.

Ainda na noite da Páscoa judaica, os filhos de Israel exclamam assim:

“Mesmo se a nossa boca estivesse cheia de hinos, como o mar é cheio de água,
a nossa língua repleta de cantos como são numerosas as suas ondas,
se os nossos lábios fossem cheios de louvor como o firmamento está estendido,
se os nossos olhos fossem luminosos como o sol e a lua,
se nossos braços fossem estendidos como as asas da águia,
e os nossos pés fossem velozes como os do cervo,
não poderíamos agradecer-Te, ó Senhor nosso Deus, nem bendizer o Teu Nome, ó nosso Rei, por um único dos mil milhares e miríades de Teus benefícios, de prodígios e de maravilhas que realizaste por nós e por nossos pais no decorrer da nossa história…
Por isso, os membros que nos deste, o hálito e a respiração que em nós insuflaste, a língua que puseste em nossa boca, agradecem, bendizem, louvam, exaltam, cantam o Teu Nome, ó nosso Rei, para sempre!”

Se os judeus têm razão para cantar assim – e bendito sejam eles porque assim cantam – tanto mais nós, que conhecemos o Prodígio por excelência que o Senhor realizou na noite pascal, abrindo o mar da Morte e ressuscitando o Filho Jesus, nossa Cabeça, fazendo com que todos nós, membros do Seu corpo, possamos também atravessar as águas mortais e entrar na Terra Prometida, que é a Vida com Deus em Cristo!

Por isso, pelo que fizeste no Teu Filho e Senhor nosso Jesus Cristo, os membros que nos deste, o hálito e a respiração que em nós insuflaste, a língua que puseste em nossa boca, agradecem, bendizem, louvam, exaltam, cantam o Teu Nome, ó nosso Rei, Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, para sempre!

Publicado no Facebook dia 28/03/16.

–> Blog pertencente a Rafael Rocha, seminarista da Arquidiocese.

Rafael Rocha, seminarista da Arquidiocese cursando Filosofia.