Comunidade de Santa Edwiges comemora 2º Aniversário do Terço dos Homens

A Comunidade Santa Edwiges, no Conjunto Curió, celebrará os dois anos de fundação do grupo do Terço dos Homens Mãe Rainha. Na ocasião, o pároco Padre Leandro de Araújo presidirá Missa em Ação de Graças às 20h.

Durante esse tempo podemos citar como conquistas deste grupo:

– Envolvimento dos homens nas ações pastorais da Igreja, principalmente nas Equipes de Liturgia e na organização da Festa da Padroeira, Santa Edwiges;

– Aumento da autoestima dos homens e do amor a Deus e à Igreja.

Nossos agradecimentos antecipados ao nosso pároco Pe. Leandro, à Coordenação Arquidiocesana, ao Conselho Comunitário de Pastoral de Santa Edwiges, às nossas famílias,  e à Deus pelas graças derramadas em nossas vidas.

Rafael Rocha,

Relações Públicas.

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Como o governo brasileiro vê a Jornada Mundial da Juventude em 2013?

O Cardeal Stanislaw Rylko, presidente do Pontifício Conselho para os Leigos (PCL), órgão responsável pela organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Vaticano, chegou nesta segunda-feira ao Rio de Janeiro. Ele ficará na cidade durante cinco dias, onde participará de reuniões com os representantes do Comitê Organizador Local (COL) da JMJ Rio2013, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além de um encontro com representantes de movimentos jovens e comunidades novas do Rio. Na programação, ele irá visitar possíveis locais da cidade que poderão receber os eventos oficiais da JMJ Rio2013.

No dia 2 de março, às 11h, o Cardeal Rylko e o arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, darão uma coletiva de imprensa onde farão um balanço das atividades realizadas pela Comitiva do PCL durante a visita ao Rio. A coletiva será no edifício João Paulo II, na Glória. Acompanhando o Cardeal Rylko, estão no Brasil uma comitiva com mais três representantes do PCL: padre Eric Jacquinet, responsável pela Seção Jovem; Marcello Bedescci, presidente da Fundação João Paulo II para a Juventude e padre João Wilkes Chagas. Acompanha ainda a comitiva o Padre Deshoniana, Anísio José.

Entretanto, uma das etapas principais da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é a acolhida aos peregrinos que virão de todas as partes do mundo. No segundo Domingo da Quaresma, este ano dia 4 de março, será lançada nas paróquias da Arquidiocese do Rio a Campanha de Hospedagem para a Jornada Mundial da Juventude Rio2013. Segundo a responsável pelo Setor de Hospedagem, irmã Graça Maria, CNSB “as hospedagens serão em casas de família, paróquias, escolas públicas e particulares, ginásios poliesportivos, casas de festas, centros comunitários e outros locais que sejam seguros e cobertos para que o peregrino possa ser alojado para pernoite. As famílias poderão se cadastrar no portal: http://www.rio2013/pt/hospedagem.

E da parte do governo como está sendo visto este evento que está mobilizando as dioceses e paróquias de todo o Brasil. Quem nos responde é o Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

Do Portal Ecclesia

“A caminho da Páscoa” por Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro

Com o Primeiro Domingo da Quaresma, entramos plenamente no período de conversão que nos conduzirá à Páscoa, ao encontro com Cristo Crucificado, Morto e Ressuscitado. Todos nós que percorremos a via quaresmal devemos passar por esse drama da existência humana, onde sofrimento purificador e restauração estão intrinsecamente vinculados. A passagem do evangelho de São Marcos, que a liturgia deste domingo nos oferece, mostra claramente essa realidade.

É um trecho breve: apresenta Cristo sendo “impelido para o deserto” e travando a batalha espiritual com o demônio, que culminará em sua vitória sobre o maligno e, também, o anúncio evangelizador através da pregação: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.” (Mc 1, 15)

Na Primeira Leitura (Gn 9,8-15) estão as belíssimas palavras de Deus, que renova sua aliança com Noé e, através desse, com toda a humanidade: “Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra.” (Gn 9, 13)

Deus faz uma aliança com Noé. Mas, ao lado das promessas de salvação, Ele, conhecendo a fragilidade humana, toma para si nossas dores. Será Seu filho a ser crucificado para resgatar de modo definitivo toda a humanidade. Deus se compraz de cada um de nós, conhece nossas fraquezas e nos resgata. Estabelece conosco a nova e eterna aliança em seu Filho, a ser contemplado no alto da Cruz. Agora, já não são as cores do arco-íris que vemos, mas água e sangue que jorram de seu peito transpassado. Eucaristia e batismo. Igreja e sacramento. Grão que morre para dar vida.

A água do dilúvio é uma prefiguração da água do Batismo. Esse sacramento nos transforma em filhos de Deus, nos faz Igreja. Somos da realeza divina, não para mandar, mas para servir e conduzir todas as criaturas a Deus. Assim, como nos indica São Pedro na Segunda Leitura (1Pd 3,18-22): “Também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados – o Justo pelos injustos – para nos conduzir a Deus.” (1 Pd 3, 18)

A aliança do Batismo é plena e, em Cristo, constitui a Igreja Peregrina. Ele nos dá seu Corpo, a Santa Eucaristia, para caminhar pelo deserto da vida. Ler a passagem que a liturgia nos oferece hoje, através do apóstolo Pedro, é realizar um verdadeiro mergulho na história. Mas uma imersão que nos permite renovar o presente. Estamos diante de um Hino Cristológico, uma catequese dedicada aos que estavam sendo introduzidos na fé.

Assim como Cristo foi lançado ao deserto após seu encontro com o Batista no Jordão, também nós, batizados, somos chamados a viver estes quarentas dias com Cristo no deserto, com a certeza de que sairemos vitoriosos. O objetivo desta batalha é renovar nossa aliança batismal, que o faremos liturgicamente na Vigília Pascal.

Só é possível transmitir aquilo que cremos, experimentamos, possuímos. E como nossa fé é fruto de um encontro, de ouvir a pregação, de acolher o dom do Espirito Santo, só poderemos ser luzes se deixarmos que Cristo transforme nossas vidas.

Aproveitemos este domingo para colocar nossas vidas diante de Cristo, pedindo-lhe a graça de tomarmos a decisão definitiva de viver com entusiasmo e amor a Quaresma. Temos a oração, o jejum e a esmola como caminhos que nos conduzem a Cristo. Aproveitemos para transformar nossa fé em ação. Para isso, temos a Campanha da Fraternidade que, há meio século, foi idealizada pelo nosso amado predecessor, o Cardeal Eugênio Sales, momento forte para unirmos a oração e a ação caritativa.

Sejamos missionários do amor, da caridade, do perdão e da reconciliação. E trabalhemos, com, em e por Cristo, para apoiar nossos irmãos na busca dos direitos pela saúde, como nos indica este ano a CNBB, através da Campanha da Fraternidade: “Que a saúde se difunda sobre a terra”. (Eclo 38,8)

Somos conscientes de que a ação do cristão só é plena quando nasce da conversão interior. A saúde do corpo será vazia sem a saúde espiritual. Por isso, é impossível ficar inerte diante de tanto sofrimento físico e psicológico. São muitos os necessitados e abandonados. Trabalhar por uma sociedade mais justa nunca será uma tentação ou um desvio de atenção, desde que Cristo seja nossa principal motivação. A Campanha da Fraternidade nasce dentro de um contexto de conversão e renovação. Ela dá uma direção concreta, um modo de unir corações e vontades, para que a beleza de Cristo reine na sociedade.

Devemos ser conscientes de que só quando Cristo tocar a nossa vida e curar o egoísmo que habita em cada um de nós é que seremos capazes de viver com alegria e entusiasmo nossa fé, e, assim, poderemos transformar o mundo para Cristo e com Cristo.

Renovemos nossa vida Batismal! Entremos no deserto! Deixemos que o Espírito Santo nos guie, e, ao final, o amor vencerá e transformará corações e vidas.

Nossa Mãe Maria nos ajudará com a sua intercessão a atravessar este período de purificação e conversão. Ela nos ajudará, também, a anunciar como Cristo: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.” (Mc 1, 15).

Do Portal Ecclesia

“Provados pela vida miúda de cada dia” por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar de Aracajú

Amado por Deus, o povo de Israel foi engendrado de modo simples, por patriarcas nômades, que não possuíam sequer um lugar para viver, que viviam no limite da subsistência e eram estrangeiros na terra; homens que viviam da esperança em Deus e que enchiam a pobreza do presente com a fé na fidelidade dAquele que prometera um futuro de bênção.

Eis como viviam: nômades, estrangeiros na terra: “Abrão atravessou o país até o santuário de Siquém, até o carvalho de Moré. Naquele tempo estavam os cananeus no país. O Senhor apareceu a Abrão e lhe disse: ‘À tua descendência darei esta terra’. Abrão ergueu ali um altar ao Senhor, que lhe tinha aparecido. De lá se deslocou em direção ao monte que está ao leste de Betel, e ali armou as tendas, tendo Betel ao ocidente e Hai ao oriente. Construiu ali um altar ao Senhor e invocou o nome do Senhor. Depois, de acampamento em acampamento, Abrão foi até o Negueb” (Gn 12,6-9).

Israel seria engendrado nas crises das noites da fé e do misterioso modo de agir de um Deus vivo, que nos desconcerta porque é grande demais e não obedece aos nossos tempos, modos e metas, um Deus indisponível:“Depois destes acontecimentos, o Senhor falou a Abrão numa visão, dizendo: ‘Não temas, Abrão! Eu sou o escudo que te protege; tua recompensa será muito grande’. Abrão respondeu: ‘Senhor Deus , que me haverás de dar, se eu devo deixar este mundo sem filhos e o herdeiro de minha casa será Eliezer de Damasco?’ E acrescentou: ‘Como não me deste descendência, meu criado é que será o herdeiro’. Então lhe foi dirigida a palavra do Senhor: ‘Não será esse o herdeiro mas um de teus descendentes é que será o herdeiro’. E conduzindo-o para fora, lhe disse: ‘Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!’ E acrescentou: ‘Assim será tua descendência’. Abrão teve fé no Senhor que considerou isto como justiça. E lhe disse: ‘Eu sou o Senhor que te fez sair de Ur dos Caldeus, para te dar em possessão esta terra’. Abrão lhe perguntou: ‘Senhor Deus, como poderei saber que vou possuí-la?’ E o Senhor lhe disse: ‘Traze-me uma vaca de três anos, uma cabra de três anos e um carneiro de três anos, além de uma rola e uma pombinha’. Abrão trouxe tudo e dividiu os animais pelo meio, mas não as aves, colocando as respectivas partes uma frente à outra. Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres mas Abrão as enxotou. Quando o sol já ia se pondo, caiu um sono profundo sobre Abrão e ele foi tomado de grande e misterioso terror. E o Senhor disse a Abrão: ‘Fica sabendo que tua descendência viverá como estrangeira num país que não é seu. Serão escravizados e oprimidos durante 400 anos. Mas eu julgarei o povo que os escravizará e depois sairão dali com grandes riquezas. Quanto a ti, irás reunir-te em paz com teus pais e serás sepultado depois de uma feliz velhice. Na quarta geração voltarão para cá, pois a culpa dos amorreus ainda não se completou’. Quando o sol se pôs e escureceu, apareceu um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo, que passaram por entre as partes dos animais esquartejados. Naquele dia o Senhor fez aliança com Abrão, dizendo: ‘A teus descendentes dou esta terra’” (Gn 15). Assim foi pensado e concebido Israel: de um homem já marcado pela morte, de uma mulher cujo seio era estéril, sem vida.

Aquele que faz brotar a vida no deserto iria fazer surgir deste casal um povo, o seu povo, numeroso como as estrelas do céu. A existência de Israel é, por si mesma, um grito: para Deus nada é impossível! Ele dá a graça a quem quer! E Israel terá de aprender, como nós também, a contemplar sua existência à luz da fé e, aí, discernir as pegadas amorosas de Deus.

É precisamente isto que a fé faz: transformar aquilo que aparentemente seria um absurdo ou uma banalidade num sinal velado de amor do Senhor. Se soubéssemos contemplar… O Autor da Epístola aos Hebreus recorda com emoção esta origem sofrida e incerta: “Pela fé Abraão, ao ser chamado, obedeceu e saiu para a terra que havia de receber por herança, mas sem saber para onde ia. Pela fé morou na terra da promissão como em terra estrangeira, acomodando-se em tendas, do mesmo modo que Isaac e Jacó, co-herdeiros da mesma promessa. Porque ele esperava uma cidade fundada sobre alicerces, cujo arquiteto e construtor seria Deus. Foi na fé que morreram todos sem receber as promessas mas vendo-as de longe e saudando, confessando-se peregrinos e hóspedes na terra. Ao dizê-lo, dão a entender que buscam a pátria. Pois, caso se lembrassem da pátria de onde saíram teriam tido ocasião de retornar. Mas desejam outra melhor, isto é, a pátria celeste. Por isso Deus não se envergonha de se chamar seu Deus. De fato lhes tinha preparado uma cidade” (Hb 11,8ss.13-16).

Finalmente, este povo amado, prometido a Abraão, Isaac Jacó será gerado na dura prova da escravidão do Egito:“Surgiu um novo rei no Egito, que não tinha conhecido José, e disse ao povo: ‘Olhai como a população israelita está se tornando mais numerosa e mais forte do que nós. Vamos tomar precauções para impedir que continuem crescendo e, em caso de guerra, se unam também eles a nossos inimigos, e acabem saindo do país’. Estabeleceram, assim, capatazes para que os oprimissem com trabalhos forçados na construção das cidades de depósito do Faraó, Pitom e Ramsés. Os egípcios reduziram os israelitas a uma dura escravidão. Amarguraram-lhes a vida no pesado trabalho do preparo do barro e de tijolos, com toda sorte de serviços no campo, enfim, todos os trabalhos que eram forçados a fazer” (Ex 1,8-11.13s).

Se o Senhor é um Deus que ama, também se cala detrás da densa nuvem dos absurdos da vida e do pranto sofrido dos pobres: o povo geme debaixo do trabalho forçado, as criancinhas são assassinadas, a mãe de Moisés é obrigada a jogar seu filhinho no Nilo… Este silêncio de Deus é causa de escândalo, sobretudo hoje – no mundo da ciência, do debate, das mil respostas, dos questionamentos, do imediato e do mensurável! Diante deste Silêncio podemos ter somente três atitudes: o escândalo descrente, o cinismo sem esperança e a fé que ilumina as trevas e liberta, dando-nos força para a luta! Como não recordar as palavras de Kierkegaard? “Não permitas que esqueçamos: Tu falas, mesmo quando estás calado. Dá-nos esta fé, quando estivermos à espera da tua vinda! Tu calas por amor e por amor falas. Assim é no silêncio, assim é na palavra: tu és sempre o mesmo Pai, o mesmo coração paterno e nos guias com a tua voz e nos ensinas com o teu silêncio!”

Assim, por trás deste silêncio, o Senhor Deus vela para gerar o seu povo: “Passado muito tempo, morreu o rei do Egito. Os israelitas continuavam gemendo e clamando sob dura escravidão. E os gritos de socorro devidos à escravidão subiram até Deus. Deus ouviu-lhes os lamentos e lembrou-se da aliança com Abraão, Isaac e Jacó. Deus olhou para os israelitas e tomou conhecimento” (Ex 3,23-25).

Israel – e eu, que sou Israel! – poderia rezar como o Salmista:“Tu vês a fadiga e o sofrimento, e observas para tomá-los na mão: a ti se abandona o pobre, para o órfão tu és um socorro” (Sl 9 [10])! “Do meu exílio registrastes cada passo, em vosso odre recolhestes cada lágrima, e anotastes tudo isto em vosso livro” (Sl 56[55]).

É assim, no silêncio dos acontecimentos, na aparente insignificância da vida, que o Deus de Israel age! Para quem não crê, há somente a escuridão de um silêncio absurdo, da falta de sentido que oprime e nos destrói… Mas para quem crê, a escuridão torna-se luminosa, como a noite da Páscoa: “Só tu, noite feliz, soubeste a hora em que o Cristo da morte ressurgia; e é por isso de ti que foi escrito: a noite será luz para o meu dia!” Ou, com diz o responsório das laudes dos domingos do Advento: “Mesmo as trevas para vós não são escuras, vós sois a luz do mundo, aleluia!”

Para pensar e rezar:

1. O Senhor não garante aos seus facilidades nem riquezas. Quem caminha com ele deve viver de fé e caminhar de esperança em esperança. Nossa riqueza é o Senhor, nossa certeza é o Senhor, nossa recompensa é o Senhor! Quem caminha assim é livre, é sereno e não perde o rumo na existência…
Pense: onde procuro minhas certezas? Onde busco minhas seguranças? O Senhor deveria ser minha Rocha!
2. Nas nossas noites o Senhor está presente. Se o soubermos reconhecer, escutá-lo, veremos que Ele nos sustenta e nos leva nos braços, ainda que não compreendamos como…
3. Deus pode fazer brotar um jardim no deserto da minha vida e da vida do mundo. Do que é morte e esterilidade, Deus pode fazer brotar a vida! “Por que tenho medo? Nada é impossível para Ti!”
4. Os modos, medidas e tempos de Deus não são os nossos! É preciso que nos convertamos ao Senhor, confiando nele com toda a nossa força e entendimento!

Do Portal Ecclesia

Papa explica como vencer tentações e se aproximar de Deus

“O tempo da Quaresma é um momento propício para renovar e melhorar o equilíbrio do nosso relacionamento com Deus, por meio da oração cotidiana, os gestos de penitência e as obras de caridade fraterna”, salientou o Papa Bento VXI na oração do Angelus deste domingo, 26.

Da janela de seu escritório, o Pontífice ressaltou aos fiéis reunidos na Praça São Pedro que, em toda a história da humanidade, sempre houve a tentação de remover Deus, conduzindo as coisas contando apenas com as habilidades humanas. De fato, o homem nunca é totalmente livre da tentação, até o fim da vida, mas com paciência e verdadeira humildade, se tornará mais forte do que qualquer inimigo.

“A paciência e a humildade de seguir todos os dias o Senhor, aprendendo a construir a nossa vida não sem Ele ou como se Ele não existisse, mas Nele e com Ele, porque é a fonte da verdadeira vida”, explicou o Santo Padre.

Jesus proclama que “o tempo se cumpriu e o reino de Deus está próximo” (Mc 1,15). Este anúncio, esclarece o Papa, é acompanhado por uma exigência: corresponder a esse dom tão grande.

“Jesus, de fato, acrescenta: ‘convertei-vos e crede no evangelho’ (Mc 1,15); é o convite a ter fé em Deus e a converter todos os dias nossa vida a Sua vontade, orientando, para o bem, cada ação nossa e cada pensamento”, reforçou.

Do Portal Ecclesia

Mensagem de Sua Santidade o Papa Bento XVI para a quaresma de 2012

«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (Heb 10, 24)

Irmãos e irmãs!

A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.
Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.

1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).
A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.
O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.
O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.
Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).

3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.
Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.
Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).

Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Novembro de 2011

Do Portal da Arquidiocese de Fortaleza

“Voltar-se para Deus e para sua aliança” por pe. Ismar Dias de Matos

Quando, no livro do Gênesis, Deus apresenta ao homem a mulher tirada de sua costela, este exclama todo feliz: “Esta sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne” (Gn 2, 22-23). Porque a palavra “costela” ou “lado” (Tse Lah, hebraico) é muito parecida com “osso” (HeT SeM),e pode significar também “eu próprio”. É como se o homem dissesse: “é osso de meus ossos” ou “sou eu próprio”. Por isso, é muito comum, nas celebrações matrimoniais, lembrar o texto que diz: “Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, une-se à sua mulher e os dois se tornam uma só carne” (Gn 2, 24). É uma união, uma aliança amorosa tão profunda que os dois se confundem em uma só pessoa.

Alianças e pactos estão presentes na história do Povo de Deus, na Bíblia; há uma sucessão de alianças: com Noé, com Abraão, com todo o povo, por meio de Moisés; com Davi etc. Deus escolhe o seu povo, promete fidelidade e exige que o povo também seja fiel. Aliança pode significar também “corrente”, cujos elos dão a ideia de um pacto contínuo.

Vemos essa aliança na primeira leitura deste 1º Domingo da Quaresma (Gn 9, 8-15): a aliança com Noé, quando Deus, após o dilúvio, depõe o seu arco nas nuvens: “Não haverá mais dilúvio para devastar a terra” (Gn 9,11): a terra foi purificada, foi recriada, e não será mais devastada pelas águas. O Arco Íris é o sinal desse pacto divino com Noé e sua descendência.

O salmista (Sl 25[24])canta: “Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e a vossa compaixão que são eternas”. Ele pede a Deus que não se esqueça do pacto, da aliança de amor. Como a aliança é algo bilateral, cada lado deve cumprir a sua parte. Deus, mesmo diante da infidelidade humana, é generoso e compassivo, como diz o apóstolo Pedro na segunda leitura (1 Pd 3, 18-22).

Se na primeira leitura é mencionado o Arco da Velha Aliança, na segunda leitura Pedro nos lembra a Nova Aliança, em Cristo, nosso Resgatador e Libertador diante do Pai.

Os quatro versículos do Evangelho (Mc 1, 12-15) trazem a conversão como tema central. Trata-se de uma volta ao Caminho, que é, na verdade, a própria Escritura Sagrada, a  To Ráh, e também uma volta ao próprio Jesus, ao próprio Deus (Jo 14,6). Conversão, em hebraico, é TeS Hu Váh, palavra que traz em si o sentido de retomada, de volta (ShuV). Converter-se ao Evangelho, como nos convida Jesus, é retomar as cláusulas da Nova Aliança, não por uma obrigação legal, mas por amor espontâneo e livre de qualquer imposição. Ser fiel à Aliança é, no fundo, ser fiel a si mesmo, como um esposo que ama e é fiel à sua esposa. “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

Do Portal Ecclesia