Meditação para este IV Domingo da Quaresma – Ano B

Texto de Dom Henrique, bispo de Palmares-PE, publicado na rede social Facebook.

“Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações” (Is 66,10s). Caríssimos em Cristo, estas palavras de Isaías dão o tom da liturgia deste Domingo, chamado pela liturgia de Domingo Laetare – Domingo “Alegra-te!” Não se trata de um “Domingo da Alegria” – isto não existe na Liturgia… Por favor, nunca esqueçamos que a Liturgia não celebra temas, mas eventos salvíficos, acontecimentos realizados pelo Senhor para a nossa salvação!
Pois bem, no meio da Quaresma, na metade do caminho para a solene celebração anual da Ressurreição do Senhor, a Igreja nos convida à uma atitude interior de alegria pela aproximação da Santa Páscoa. Daí hoje a cor rosa e até mesmo as flores na igreja. “Alegra-te, Jerusalém!” – Jerusalém é a Igreja,é o Povo santo de Deus, o novo Israel, é cada um de nós… Alegremo-nos, apesar das tristezas da vida, apesar da consciência dos nossos pecados! Alegremo-nos, porque a misericórdia do Senhor é maior que nossa miséria humana!

Como o povo da Antiga Aliança, também nós tantas vezes somos infiéis – já devíamos ter visto isso claramente a esta altura da Quaresma! É trágico, na primeira leitura, o resumo que o Livro das Crônicas traçou da história de Israel: “Todos os chefes dos sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs. O Senhor Deus dirigia-lhes a palavra por meio de Seus mensageiros, porque tinha compaixão do Seu povo. Mas, eles zombavam dos enviados de Deus, até que o furor do Senhor se levantou contra o Seu povo e não teve mais jeito”. Com estas palavras dramáticas, o Autor sagrado nos explica o motivo do terrível e doloroso exílio da Babilônia: Israel fez pouco de Deus, virou-Lhe as costas; por isso mesmo, foi expulso do aconchego do Senhor na Terra que lhe fora prometida, perdeu a liberdade, o Templo, a Cidade Santa, e tornou-se escravo no Exílio de Babilônia.
Aqui aparece toda a gravidade do pecado, que provoca a ira de Deus! É sempre essa a consequência do pecado: o exílio do coração, a escravidão da vida!
A Escritura nos ensina, caríssimos, que Deus nunca faz pouco do nosso pecado, nunca passa a mão na nossa cabeça, jamais faz de conta que não pecamos! Jamais dispensa de modo leviano as nossas infidelidades! E por quê? Porque realmente nos ama, nos leva a sério, faz conta de nós! Ora, o pecado, afastando-nos de Deus, nos desfigura e nos faz perder o rumo e o sentido da existência. Por isso mesmo, causa a ira de Deus! Pois bem, o Senhor levou, então, Seu povo para o terrível deserto do Exílio para corrigi-lo e fazê-lo voltar de todo o coração para Aquele que é seu único bem, sua verdadeira riqueza – aquele que é o seu Deus!
É por misericórdia que Ele corrige Israel, por misericórdia que nos corrige: “Pois o Senhor não rejeita para sempre: se Ele aflige, Ele Se compadece, segundo Sua grande bondade. Pois não é de bom grado que Ele humilha e que aflige os filhos do homem” (Lm 3,31-33). Deus é amor e misericórdia. A leitura do Livro das Crônicas nos mostrou que, uma vez Israel convertido, corrigido, o Senhor fá-lo voltar para a Terra sempre prometida. Sim, efetivamente, “não é de bom grado que Ele humilha e que aflige os filhos do homem”.

Caríssimos, esta mesma ideia que tantas vezes aparece no Antigo Testamento, cumpre-se de modo definitivo em Cristo Jesus. Hoje, o Evangelho que escutamos, com palavras comoventes, explica a missão do Cristo nosso Senhor: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o Seu Filho unigênito, para que não morra todo aquele que Nele crer, mas tenha a Vida eterna. De fato, Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”. Porque “estávamos mortos por causa de nossos pecados”, Deus, na Sua imensa misericórdia, nos deu a Vida no Seu Filho único.
Vejamos bem, irmãos: há duas realidades que são bem concretas na nossa existência. Primeiro, a realidade do nosso pecado. Nesta metade de caminho quaresmal, é preciso que tenhamos a coragem de reconhecer que somos pecadores, que temos profundas quebraduras interiores, paixões desordenadas, desejos desencontrados que combatem em nós… Quantas incoerências, quantos fechamentos para Deus e para os outros, quantas resistências à graça, quantas máscaras! A humanidade é isso! Não somos bonzinhos! Somos todos feridos, todos doentes, todos pecadores, todos necessitados da salvação!
Mas, ao lado dessa realidade tão triste, há uma outra: Deus não Se cansa de nós; estende-nos a mão para nos tirar do nosso atoleiro e nos salvar! Essa mão estendida é o Seu Filho Jesus! Deus amou tanto o mundo, levou-nos tão a sério, que entregou o Seu Filho, o Amado, o Único, o Santo! Grande o nosso pecado, imensa a misericórdia de Deus em Cristo;
grande a nossa treva, imensa a Luz de Deus que nela brilhou em Cristo;
grande o nosso egoísmo, imenso o amor de Deus manifestado em Cristo;
grande a nossa morte, imensa a Vida que nos foi dada em Cristo Jesus, nosso Senhor!

Amados em Cristo, a grande tentação de nossa época é fazer pouco de Deus e, cinicamente, mascarar nosso pecado. Quantos cristãos adulteram, roubam, fornicam, abortam, maltratam os demais, negligenciam seus deveres para com Deus e com a Igreja, desobedecem aos mandamentos, e não estão nem aí. É um espírito de descrença, de falta de atenção e delicadeza para com o Senhor. Vemos isso em tanta gente de Igreja… Aqueles que nos corrigem são chamados logo de reacionários, fechados, sem misericórdia, duros, insensíveis para o mundo atual… E no entanto, a Palavra do Senhor é clara: é necessário que fixemos o olhar em Cristo que Se entregou por nós e reconheçamos a gravidade e a concretude do nosso pecado! Volta, Israel! Volta, Igreja de Cristo! Volta, povo do Senhor! Voltemos, irmãos e irmãs! Em Cristo Jesus, nosso Salvador, “Deus quis mostrar a incomparável riqueza da Sua graça!” Não brinquemos com o amor de Deus, não recebamos em vão a Sua correção!

Recordemos que hoje, no Evangelho, após mostrar o imenso amor de Deus pelo mundo, a ponto de entregar o Filho amado, a Palavra santa nos previne duramente: Quem Nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no Nome do Filho unigênito”. Ora, caríssimos, acreditar no Nome de Jesus não é aderir a uma teoria, mas levá-Lo a sério na vida pelo esforço contínuo de conversão à Sua Pessoa divina e à Sua Palavra santa! Crede, irmãos, crede, irmãs! Crede não com palavras vãs! Crede com o afeto, crede com o coração, crede com os lábios, mas, sobretudo, crede com as mãos, com os vossos atos, com a prática da vossa vida! De verdade creremos na medida em que de verdade nos abrirmos para a Sua luz; pois “o julgamento é este: a Luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz”.

Que o Senhor nos dê a graça de ver realisticamente nossos pecados, reconhecê-los humildemente e confessá-los sinceramente, para celebrarmos verdadeiramente a Páscoa que se aproxima e dela participar eternamente na glória do Céu. Amém.

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Festa de São José, na Lagoa Redonda

A paróquia de Lagoa Redonda promoverá do dia 09 a 19 a festa do querido padroeiro e patrono da Igreja, o Glorioso São José. O tema da festa é “Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito” (1Jo 1,3).

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Os horários são:

De segunda a sexta: Novena às 19h e Missa às 19:30h;

Sábado e domingo: Novena às 18:30h e Missa às 19h.

O pároco pe. Nazareno presidirá a Missa de Abertura dos Festejos. Todos são convidados!

Informações: (85) 3476-8904 / 9.8973-6412 e na página da PASCOM na rede social Facebook.

A Igreja Matriz São José está localizada na Avenida Recreio, nº. 1815 – Lagoa Redonda, Fortaleza/CE.

 

Meditação do 3º Domingo da #Quaresma por Dom Henrique Soares

Comecemos pela primeira leitura a nossa meditação da Palavra de Deus para este Domingo.
Que nos apresenta o Livro do Êxodo [20,1-17]? As Dez Palavras, os Mandamentos de Torá. A palavra “mandamento” tem, hoje um significado antipático. Não gostamos de mandamentos, de normas, de preceitos. No entanto, para um judeu – e também para um cristão -, os preceitos, os mandamentos do Senhor, são uma bênção, um sinal de carinho paterno de Deus, que Se volta para nós e nos abre o Seu Coração, falando-nos da vida, mostrando-nos o caminho, iluminando a direção da nossa existência. Foi com esse sentido que o Senhor nosso Deus deu a Lei, revelou os preceitos a Israel. A Lei não deveria ser vista como um feixe pesado e opressor de proibições, mas como setas que apontam para o caminho da Vida e nos fazem descansar no Coração de Deus.
O próprio termo hebraico torá, que traduzimos por lei, significa, na verdade instrução. Na Lei, na Instrução, Deus nos fala da vida porque deseja conviver com o Seu povo. Sendo assim, os preceitos são uma bênção! O profeta Baruc afirma isso com palavras comoventes: Escuta, Israel, os mandamentos da Vida; presta ouvidos, para conheceres a prudência. Por que Israel, por que te encontras na terra dos teus inimigos, envelhecendo em terra estrangeira? É porque abandonaste a fonte da Sabedoria. Ela é o livro dos preceitos de Deus, a Lei que subsiste para sempre: todos os que a ela se agarram destinam-se à Vida, e todos os que a abandonam perecerão. Volta-se, Jacó, para recebê-la; caminha para o esplendor, ao encontro de sua luz! Não cedas a outrem a tua glória, nem a um povo estrangeiro os teus privilégios. Bem-aventurados somos nós, Israel, pois aquilo que agrada a Deus a nós foi revelado” (Br 3,9-10.12; 4,1-4).
Eis, pois, o que são os mandamentos: uma luz, um caminho de liberdade, porque nos faz conhecer o Coração de Deus e os Seus sonhos para nós. Viver na Palavra de Deus, mergulhar nos Seus preceitos é viver o Seu sonho para nós, é ser livre, maduro e feliz. Por isso o Salmista, hoje, canta: “A Lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes. Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos!”
E, no entanto, Israel violou a Lei de Deus, fechou-se para os preceitos do Senhor… E por quê? Porque não basta seguir um feixe de regras e normas para agradar a Deus. A Lei somente tem sentido se for vivida como uma relação de amor. Olhai bem como começa o Decálogo: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de Mim”. Aqui está já dito tudo: por lado Deus, apaixonado, fiel, amoroso: tirou o Seu povo da miséria de suas escravidões. Por outro lado, o povo: de quem Ele espera um coração totalmente dedicado ao seu Deus: “Não terás outros deuses diante de Mim!” É esta relação de amor que Israel quebrou, contentando-se muitas vezes com um legalismo vazio e frio.

A imagem dessa situação, vemo-la no Evangelho de hoje: o Templo, lugar do encontro de Deus com o Seu povo, transformado numa espelunca, numa casa de comércio, um lugar de prostituição do coração, de idolatria É idolatria a ganância, é idolatria a impiedade, é idolatria reduzir a religião a um negócio lucrativo, é idolatria pensar que se pode manipular Deus com um dízimo, com um rito ou com um volume da Bíblia! O Senhor previne: “Eu sou o Senhor vosso Deus que não aceita suborno!” (Dt 10,17) Por isso Jesus age de modo tão violento: Fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. Disse aos que vendiam pombas: ‘Tirai isso daqui! Não façais da Casa de Meu Pai uma casa de comércio!’” que significa este gesto de Jesus? É uma pregação pela ação, uma ação profética, uma ação, um gesto que vale por uma pregação. Jesus está revelando a santa ira de Deus contra o seu povo… Hoje em dia, com uma mania boboca de sermos politicamente corretos (coisa que nunca assentará num cristão), ficamos escandalizados com um Deus que Se inflama de ira, com um Jesus que deveria ser mansinho, bonzinho, tolinho, aguadozinho, insossinho, e aparece, no entanto, firme, forte, radical… e irado! Esse é o Jesus de verdade: surpreendente, desconcertante! Sua ira nos previne no sentido de que não podemos brincar com Deus, não podemos fazer pouco Dele! Correremos o risco de perdê-Lo, de sermos rejeitados do Seu Coração! Em outras palavras: a conversão é uma exigência fundamental para quem deseja caminhar com Deus, sendo discípulo do Filho Jesus! Mas, os judeus, ao invés de compreenderem isso, com cinismo criticam Jesus e pedem-Lhe um sinal: “Que sinal nos mostras para agir assim?” Vede bem, caríssimos: quando a infidelidade é grande, quando o nosso coração habituou-se no mal, corremos o risco de sermos tomados de tal cegueira, de tal dureza de coração, que já não vemos nem com a Luz! Jesus é a luz que brilha claramente. Sua atitude dura, recorda aos judeus o amor de Deus que foi traído, a Lei que foi deturpada, e eles ainda pedem por sinais…
Jesus dá um sinal, terrível, decisivo: “Destruí este Templo, e em três dias Eu o levantarei”. Que significa isso? “Estais destruindo este Templo? Ele é um sinal, é um símbolo profético: ele é o lugar no qual o homem pode encontrar Deus, ele é imagem do Meu corpo. Pois bem! Vós violastes a aliança, destruístes o sentido da relação com Deus: continuais, pois a destruir este Templo. Mas em três dias Eu o erguerei para sempre: vai passar a imagem, virá o Templo indestrutível, o lugar onde um novo povo poderá para sempre encontrar Deus: o Meu corpo morto e ressuscitado!” Eis o sinal, surpreendente, escandaloso: à infidelidade do seu povo, Deus responde entregando o Seu Filho e fazendo Dele o lugar da salvação e da graça, da Vida e da vitória da humanidade! É o que São Paulo nos diz na segunda leitura deste hoje: “Os judeus pedem sinais, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos”. O sinal que Deus apresenta para Israel, o remédio que Deus preparou para curar a violação da Lei é o seu Filho crucificado, morto e ressuscitado!

Caríssimos, olhemos para nós, o Novo Povo de Deus, o Povo nascido da morte e ressurreição de Cristo. Não somos mais obrigados a cumprir os detalhados preceitos da Lei de Moisés mas, somos convidados a olhar o Crucificado, cujo corpo macerado é o lugar do perdão e do encontro com Deus, o lugar da nova e eterna Aliança… Olhando o Crucificado, ouçamos, mais uma vez, como Israel: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair da casa da escravidão, da miséria do pecado e da morte, da escuridão de uma vida sem sentido! Eu te dei o Meu Filho amado! Não terás outros deuses diante de Mim!” Compreendeis, irmãos? Os preceitos do Antigo Testamento passaram; não, porém, a exigência de um coração todo de Deus, um coração que o ame, um coração sem divisão! E, para nós, a exigência é ainda maior, porque Israel não tinha ainda visto até onde iria o amor de Deus; quanto a nós, sabemos: “Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a Vida eterna” (Jo 3,16).

Caríssimos em Cristo, convertamo-nos! Ergamos os olhos para o Crucificado, “Poder de Deus e Sabedoria de Deus”, e mudemos de vida! Que nossa fé não seja fingida, superficial, descomprometida; que nossa religião não seja simplesmente uma prática fria e sem desejo de real conversão ao Senhor nosso! Crer de verdade exige que nos coloquemos debaixo do preceito de amor do Senhor! Estejamos atentos à advertência final e tremenda do Evangelho de hoje: “Vendo os sinais que Jesus realizava, muitos creram no Seu Nome. Mas Jesus não lhes dava crédito, pois conhecia a todos… conhecia o homem por dentro”. – Ah, Senhor Jesus! Tem piedade de nós! Converte-nos a Ti e, depois, olha o nosso coração convertido e dá-nos a Tua salvação! Piedade, Senhor! Na Tua misericórdia infinita, conduze-nos às alegrias da Páscoa! A Ti a glória, Cristo-Deus, pelos séculos dos séculos! Amém.

Dom Henrique Soares da Costa é bispo titular de Palmares-PE.

Uma oração carmelita para a Quaresma

Senhor,
nesta Quaresma, tempo de mergulhar no meu interior,
de revisão e de conversão,
ensina-me a descer sempre mais
até onde Tu te encontras: o meu coração.

Como “descer” até aí?
Pelo silêncio, encontrando tempo para rezar,
pela leitura da Tua Palavra que tanto me quer dizer,
pelos Sacramentos, especialmente a Confissão e a Santa Missa.

Também pela aceitação das contrariedades,
o peso das circunstâncias e da monotonia da vida…
com os olhos postos em Ti.

Senhor, Tu que estás no meu íntimo,
ajuda-me nesta Quaresma a fazer uma viagem ao meu interior,
para aí me encontrar contigo!


Autor: Beato Francisco Palau, carmelita

Como cantar na Quaresma?

Olá, meus irmãos!
A paz de Jesus!

Primeiramente, gostaria de explicar que a Quaresma é um tempo de penitência e conversão, mas não é tempo de tristeza, porque já somos vitoriosos em Cristo Jesus, que nos deu vida nova ao vencer a Morte por Sua Ressurreição.

A Quaresma é baseada nos 40 dias e 40 noites que Jesus passou no deserto enfrentando o demônio; aos 40 anos de luta do povo de Israel ao atravessar o deserto em busca da Terra Prometida; e aos 40 dias de dilúvio, quando Noé esteve na arca, passando por esse tempo de purificação.

Existe um clima todo especial que a Liturgia nos propõe nesse tempo quaresmal, e isso precisa acompanhar a música e o canto que oferecemos a Deus. Precisamos ser como os peixes, que vivem na profundidade da água e são silenciosos; ao mesmo tempo, como os pássaros que voam e entoam o seu canto com arte.

Como disse anteriormente, Quaresma não é tempo de tristeza; por isso, o nosso canto não deve ser triste, mas sereno e esperançoso, proporcionando um verdadeiro clima de oração, contemplação e penitência. Da mesma forma, não se trata de um tempo de louvor; por isso se omite o hino de louvor da Celebração Eucarística, assim como o ‘Aleluia’ na aclamação ao Evangelho, pois a palavra ‘Aleluia’ vem do hebráico: hallelujah, que significa “louvai a Deus”.

Ao entoar nossos Salmos, também não podemos compor melodias que se expressem diferente daquilo que está na liturgia. Se o Salmo é de meditação, a melodia deve ser cantada nesse sentido. Se expressa arrependimento ou súplica de piedade, tal qual precisa ser a melodia do canto que o proclama.

Todos os cantos da Missa, da mesma forma, precisam estar de acordo com a liturgia e devem ser, além de bem escolhidos, cantados e tocados de forma a promover para o que este tempo forte na Igreja nos convida: penitência e conversão.

Desejo uma ótima e santa Quaresma a todos. Deus os abençoe.

Lucas Santos 
Comunidade Canção Nova

Do Portal da Canção Nova – Formação para Músicos

Qual a importância do ministro de música na Igreja?

Texto extraído da página do Facebook “Vida Celebrada – Formação Litúrgico Catequética”; publicado em 29 de janeiro 12:19h.

O Ministério de Música pode ser definido de duas formas. A primeira delas: a ponta da lança.

O Ministério de Música é a ponta da lança, em todos os eventos e até mesmo na Santa Missa, ele precede a pregação e as leituras; é o canto que abre os corações. Por isso, por ser a ponta da lança – ou cumprir este papel – o ministro de música deve estar preparado para exercer a sua função. Quais são as formas que conhecemos para preparar-nos? A Eucaristia e a Confissão. É através da Confissão, pelas mãos do sacerdote, que somos perdoados e nos reconciliamos com Deus. E é através da Eucaristia que chegamos à intimidade com Deus, é através d’Ela que O recebemos e O sentimos em nosso ser. Sem essas duas armas, o músico não está preparado para exercer o seu ministério.

A outra definição de ministro de música é: “aquele que faz rezar”.

Se um ministro de música, diante de uma assembléia de cinco mil pessoas, conseguir – com seu canto – levar uma pessoa à conversão ou fazer com que ela renove o gosto pela oração, ou que ela imediatamente comece a orar, a sua missão, naquele dia, está cumprida! Com a suavidade do canto, ou com a humildade ao ministrar, o ministro é capaz, sim, de levar uma pessoa de volta para Deus. E a música tem justamente esta característica: ela FICA NA MEMÓRIA, tanto que, quantas vezes, nos surpreendemos com aquela música que “não sai da nossa cabeça”?

A Bíblia também nos traz vários exemplos do ministério que tranquiliza, que alegra, que devolve à paz e que – muitas vezes! – nos convoca à luta, pela força do canto, pelo vigor:

1) 1 Samuel 16,23: “E sempre que o espírito mau, permitido por Deus acometia o rei Saul, Davi tomava a harpa e tocava. Saul acalmava-se, sentia-se aliviado e o espírito mau o deixava”.

2) 2 Reis 3,15-18: “Eliseu disse: ‘trazei-me um tocador de harpas.’ Apenas fez o tocador vibrar as cordas, veio a mão do Senhor sobre Eliseu… e ele profetizou dizendo: ‘Ele também vai entregar Moab em suas mãos.’”

3) 1 Cor 15,16-22: “Davi disse aos chefes dos levitas que estabelecessem seus irmãos como cantores com instrumentos de música, cítaras, harpas e címbalos, para que sons vibrantes e alegres se fizessem ouvir. Os levitas constituíram Hemã, filhos de Joes, e dentre seus irmãos, Asaf, filhos de Baraquias… Zacarias, Osiel, Semiramot, Jaiel, Ani, Eliab… os porteiros. Os cantores Hemã, Asaf e Etã, tinham címbalos de bronze… Zacarias, Osiel, Semiramot… tinham cítaras em soprano…”

Outra coisa importante que não podemos deixar de falar: o ministro de música é tão importante quanto o liturgista. Continuamente temos que lutar para que não faltem músicos nas nossas missas. Se assumimos um dia da semana para tocar, faça chuva ou faça sol, o músico tem que comparecer, a menos que se trate de situação grave (enfermidade, falecimento na família, etc.). Ainda assim outro ministro de música deve ser comunicado!
Fonte: http://www.fundacaofraternidade.org.br

Quem canta nas celebrações litúrgicas?

Texto extraído da página do Facebook “Vida Celebrada – Formação Litúrgico Catequética”; publicado em 29 de janeiro 10:21h.

Iniciamos nossa reflexão com a seguinte motivação: “Que vosso modo de celebrar seja a própria expressão de vossa fé!” (João Paulo II). Expressão convidativa a uma reflexão mais profunda sobre as músicas que cantamos em nossas liturgias. Haja vista, mais importante antes de tudo, ressaltar quem é cantor em nossas celebrações litúrgicas. Sabemos que toda a Igreja constitui o corpo místico de Cristo. Muitos membros, que mutuamente estão a serviço uns dos outros (cf. 1Cor 14,5; Ef 4,12). Logo, o lugar de quem canta a liturgia não é de direito profissional. Referimo-nos a uma função ministerial, abraçada por homens e mulheres (cf. Lumem Gentium, 34) que celebram os mistérios de sua fé.

Por força do Batismo, toda a assembleia – os fieis – é convidada a participar das celebrações de maneira plena, consciente e ativa. De modo que se usem os meios necessários e prudentes a restabelecer e favorecer a participação do povo na liturgia. (cf. Sacrossanctum Concilium, 14). Fonseca (obra: Quem canta? O que cantar na liturgia? p.14) nos relembra que a participação dos fieis foi uma das principais preocupações que desencadeou o Vaticano II. Mas, para que isso aconteça é importante pensar em um caminho pedagógico e formativo, de preparações cuidadosas e de zelo fiel às orientações da Igreja.

Quando ligamos nossos rádios, tvs, quando acessamos a internet, quando estamos em nossas comunidades ou visitamos outras cidades… Somos envoltos da riqueza ministerial que é a nossa Igreja. Notem, no canto litúrgico temos: compositores, animadores, salmistas, instrumentistas, corais, grupos de cantores, entre outros. Todos estes ministérios são cheios de importância, pois formam um ÚNICO MINISTÉRIO LITÚRGICO. Mas, muitas vezes este ministério não tem sido desempenhado de maneira mais adequada. Em sua maioria falta formação litúrgico-musical – Eis nossa grande preocupação. Fonseca (p.15) diz que este fator acarreta grandes dificuldades, tais como: a falta de critérios teológico-litúrgicos na escolha de repertórios, maneira incorreta de tocar os instrumentos musicais, falta de entrosamento entre cantores e instrumentistas, cantores e assembleia e, ouso acrescentar, entre cantores/instrumentistas e o presidente da celebração.

Viver a nossa vocação é fazer o povo cantar o mistério celebrado.

Sem o auxílio de uma formação adequada para o desempenho do nosso ministério, caímos na tentação de cantar PARA O POVO. Vale lembrar que cantamos COM O POVO! Não levar em conta a presença do povo é fazer deles meros expectadores, que simplesmente observam e espera o “momento” acontecer. Não respeitar o direito do povo de celebrar ativa e plenamente a liturgia, é não levar em conta o autor daquela “reunião”, feita sob a ação do Espírito Santo. Sabemos e acreditamos que bendito é Aquele que reúne o seu povo em seu amor. Ou seja, Deus chamou todos os fieis, os reuniu para “louvar de todo o coração e crescer espiritualmente, deixando-se santificar pelo Espírito Santo, que atua poderosamente na celebração litúrgica” (Foncesa apud Buyst).

Se levarmos em conta a essência de nossa vocação ministerial – dom divino que o Senhor nos confiou para o bem dos nossos irmãos – não deixamos ser afetados por “estrelismos” ou modos inadequados de projetar e exibir as vaidades pessoais. O “EU” que celebra, é um “Eu” comunitário… Cantar a liturgia é cantar com toda a assembleia ali reunida. Viver a nossa vocação é fazer o povo cantar o mistério celebrado. A música tem a força de unir todas aquelas diferentes pessoas que vieram celebrar e formar um único corpo. Devemos insistir na vivência desta ideia de unidade e comunhão. Quem dera que com um estetoscópio, lá de fora, nas paredes de nossas Igrejas, pudéssemos escutar um único coração a pulsar lá de dentro. Não é uma realidade distante, pois depende de mim e de você… Depende de nós!

Sugestões práticas para que o povo possa cantar e bem celebrar: 1) Você deve ter segurança do canto; 2) O material que você vai usar (microfone, instrumento…) deve estar arrumados antes da assembleia se reunir; 3) Alguns minutos antes de começar a celebração, é importante passar o refrão dos cantos que são novos (Salmo, Comunhão, Respostas…); 4) Elogiar e incentivar a comunidade a cantar, pois você simplesmente irá sustentar o canto. É possível?

Para refletirmos: Nas celebrações em sua comunidade, você é capaz de sentir-se unido aos outros membros formando um único corpo? Como é a participação da assembleia em sua comunidade? Existe uma integração entre músicos, equipes de liturgia e presidência nas celebrações? Se modo de celebrar é a expressão do modo que acreditamos… Como você celebra em sua comunidade?

Sugestão de leitura: FONSECA, Joaquim. Quem canta? O que cantar na liturgia? Vol. 6 da Coleção Liturgia e Música. São Paulo: Paulus, 2008.

Até logo,

Um abraço fraterno e musical de
Wallison Rodrigues

FONTE: A12.COM

Nota da Página:

Sem subterfúgios e falando bem claramente: a grande maioria dos conflitos nas equipes de liturgia se dão nas equipes de canto. Perdoem se estou exagerando. Pode até ser que existam exceções, mas em geral a “fogueira de vaidades” presente nesse ministério (canto) é um entrave constante no caminhar litúrgico.

Já vi em meus anos de liturgia várias brigas e todas elas pra saber “QUEM VAI CANTAR”. Pois é, deveria ser o povo, mas na prática algumas pessoas fazem da Igreja um verdadeiro palco em busca não de servir, mas de afagos no ego. Os elogios nesse caso são uma verdadeira droga pior que a cocaína e o crack.

Chegam a importar “cantores” de outras comunidades para “AQUELA MISSA ESPECIAL” (e existe diferença?). Missa com pouco público (poucos fiéis) em geral não interessa a essas pessoas.

Urge ESPIRITUALIDADE nas equipes de canto e a consciência de deixar que a assembleia cante. Soltar de vez em quando os microfones e deixar que o povo cante ao menos os refrões ou os cantos rituais.

Repensemos em nossas comunidades em especial esse “serviço” na certeza que o Cristo é o centro da celebração!